É a Economia (Politica), Estúpido!

A Economia em queda corrói qualquer governo.

A economia do Brasil está em frangalhos.

Dez anos depois do Brasil ter se aproximado do clube do ricos, figurou entre as 6 maiores economias do mundo, hoje não está mais entre as 15 maiores, uma queda vertiginosa, de país ouvido e respeitado à pária mundial, sem nenhum respeito, sem credibilidade e motivo de chacota, ninguém quer sentar à mesa com Bolsonaro.

A irracionalidade nacional vem de antes de Bolsonaro, aliás, ele é o resultado dela. O Brasil resistiu à grande Crise mundial de 2005-2008, cresceu, teve ousadia de apostar numa política econômica anticíclica, no final do governo Lula e início do governo Dilma, sem no entanto enfrentar suas mazelas e seus gargalos de infraestrutura.

A crise mundial de 2008 só foi sentida no Brasil em 2012, o limite e a fadiga da política de crescimento e expansão promovida pelos governo Lula, a indução pelo Estado, não teve a contrapartida privada, ao contrário, a política de incentivos fiscais, isenções, se volto contra o próprio governo, o dinheiro oferecido para manter o crescimento foi “entesourado” pelas grandes empresas e conglomerados, sugando mais  recurso e endividando exponencialmente o Estado.

A classe média tinha crescido e incorporado a “classe C”, viu seus ganhos e perspectivas de manter seu status quo abalado, com o inicio de restrições de acesso à crédito, aumento de preços de gasolina, transportes, escola, dólar, viagens. Os empregos começam a minguar, ou com salários menores, um indício de que a economia estava quase paralisada.

A questão da corrupção que já tinha atormentado no começo do governo Lula, tinha sido engavetada, pelos ganhos e crescimento econômico, a riqueza produzida e desfrutada pelas classes médias urbanas, amortecera seu “pendor” ético. No momento que as viagens e muambas internacionais cessam, a velha bandeira é resgatada com força.

Esse foi o cenário de 2013, o ano em que o Brasil virou o fio. Ainda que a crise não fosse tão grave, a tendência de queda era clara, os índice econômicos não eram bons, mas os índices sociais eram mantidos, com empregos, com investimentos em saúde e educação, mantidos. Entretanto a política do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) estava ameaçada.

As jornadas de junho de 2013 foram o marco da mudança de humor do Brasil, o maior questionamento ao governo petista de Dilma Roussef. A classe média foi às ruas com chamadas via mídia e toda a estrutura dos movimentos mundiais anteriores da primaveras árabes, Espanha, Itália, Turquia e Ucrânia, o subterrâneo do Departamento de Estado agindo e soprando os ventos da Direita.

As energias do governos petistas ainda permitiram a reeleição de Dilma, mas a leitura equivocada por um novo arranjo com o Capital, a exemplo que Lula fizera em 2003, não surtiu efeito, ao contrário, afastou os setores populares e impulsionou a frente de extrema-direita, o impeachment foi o ápice da ruptura institucional, sem crime, sem nada, foi afastamento clássico: Político.

O Brasil entrou, assim, em vertiginosa queda. Temer e seus golpistas passaram várias reformas que destruíram conquistas trabalhistas e sociais de décadas, a CLT foi desmontada, sem que nenhum crescimento produzisse. A economia continuou cambaleante, a famosa frase “basta tirar a Dilma que…” nunca funcionou, em nenhum setor.

Por outra via, o avanço da pauta moralista e contra a “corrupção”, encontrou no judiciário seu veio, aliado à mídia, na famigerada “Lava Jato”, uma onda ideológica contra o PT e Lula foram fundamentais, inclusive, para esconder o fracasso do golpe, além de servir de inibidor da volta de Lula ao governo, as eleições de 2018 foram o auge dessa luta política, com hegemonia da extrema-direita, o resultado foi a vitória do que havia de pior no cenário político.

O que o Brasil vive hoje é exatamente o resultado das escolhas funestas desde 2013, a virada política e ideológica, que são fenômenos mundiais, após a crise de 2008, que teve como objetivo central retirar cada centavo do Estado e entregar diretamente ao Kapital, na recomposição da taxa de lucro. Nesse mesmo sentindo o avanço da uberização faz parte da precarização geral do emprego e renda e foi assimilado como algo normal.

O desastre completo da Economia, os preços descontrolados dos combustíveis, das tarifas públicas, dos alimentos, somados ao desemprego em massa, expõem a face mais cruel do que se vive no Brasil: Fome, miséria, violência e desemprego. A Pandemia do Coronavírus demonstrou a completa incapacidade de ação de Bolsonaro, seu lado canalha ao zombar das vítimas, das ameaças aos governadores e prefeitos que trabalhavam no combate à doença.

Um governo que é cabide de emprego “boquinha” de militares, alguns verdadeiros “marajás” com salários superiores a 250 mil reais, combinado com a INCOMPETÊNCIA comprovada. O governo vive das propagandas mentirosas nas redes sociais, de robôs e uma azeitada máquina de marketing, como uma realidade paralela, distópica.

A inflação galopante, a paralisia econômica, as mortes de quase 600 mil brasileiros, são transformados em culpa de terceiros, hoje, o alvo dessa sanha louca é o STF.

É preciso muita força e coragem para enfrentar uma realidade tão selvagem, com tantos riscos institucionais e pessoais, mas há que se resistir, o ano de 2022 virá com as mesmas incertezas, inclusive, se as eleições acontecerão.

É lutar e Resistir.

 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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