“O importante é competir”?

O brilhantismo de Ítalo Ferreira, Rebeca Andrade e Rayssa Leal, não escondem o desastre brasileiro, nem mesmo as polêmicas notas.

“O importante é competir” (lema olímpico, adotado nos jogos de Londres em 1908).

A recente polêmica sobre julgamentos parciais nos jogos olímpicos de Tóquio, um certo favorecimento aos atletas da casa, pode parecer apenas mais um chorume de perdedor, mas abre a possibilidade debater sobre o caráter dos jogos, especialmente esses em que o mundo vivendo sob pandemia.

A realização dos jogos nessas condições representa uma enorme irresponsabilidade e que atende quase que exclusivamente os interesses comerciais das grandes empresas de materiais esportivos, das corporações de mídia, do podre COI e do governo japonês que tomará um prejuízo histórico. Nenhum espírito esportivo, sem público, perde a graça e a competitividade.

Esse lema acima é o que encorparia o tal Espírito Olímpico, cheio de altruísmo, ética e desprendimento. Foi adotado nos jogos olímpicos de Londres, justamente para apaziguar uma enorme querela com os atletas dos Estados Unidos.

Desconfio que nunca existiu, mesmo nos tempos “amadores”.

A competição não é apenas entre atletas, pois,  envolve desde sempre as nações e suas disputas geopolíticas, e que em todos os tempos são beligerantes, a batalha irá se refletir nos esportes que foram usados para demarcar força, superioridade e prova desenvolvimento dos países, quem é quem no mundo.

O exemplo clássico de uso dos jogos olímpicos de Berlim em 1936, depois nos acirramento da guerra fria, culminou com os boicotes dos míticos jogos de Moscou de 1980, do ursinho Misha de memória afetiva, e o revide de 1984 em Los Angeles, colocou em xeque a própria ideia de jogos olímpicos, como competição esportiva.

A retomada se deu em Seul, e depois da queda do muro, a divisão da URSS, o surgimento de várias nações, representou uma nova era de disputas, iniciada em Barcelona em 1992. O surgimento da China como potência econômica se traduzirá nos jogos de Pequim em 2008, e um novo “inimigo” do império americano.

A perda de hegemonia dos EUA, tanto econômica como esportiva, vem sendo perceptível, ainda é a maior potência mundial, mas apela para guerra híbrida, na geopolítica, como nos esportes, a última forma de derrotar os adversários. Desclassificando atletas, nações e tornando desiguais as competições.

Nessa relação esporte/poder econômico, o Brasil que sonhava grande nos anos iniciais do novo milênio, teve direito aos seus jogos em 2016, uma realização enorme, porém, irrepetíveis sob a nova ordem e decadência estúpida pós-jornadas, golpe político-midiático de 2016 e a onda neofacista que tomou conta do Brasil.

A decadência brasileira se reflete na participação absolutamente secundária, histórica, que o ciclo olímpico não mudou, infelizmente. A janela de oportunidades de potência e nação, o Brasil do retrocesso, do terraplanismo cuidou de fechar e voltar a ser o vira-lata.

Curioso é que isso se reflete até nas decisões polêmicas das arbitragens no jogos atuais. Coincidência ou não, o Brasil tem sido prejudicado, ou mal avaliados em disputas. Medina nos surf, Maria Portela claramente garfada, e detalhes sutis nas notas de Rebeca e Rayssa, que não apagaram os seus espetaculares resultados.

A força das potências econômicas se refletem diretamente, assim como das marcas esportivas, nesse sentido, raramente a frase que representaria os jogos olímpicos se torna verdade.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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