A Volta da Escravidão via Aplicativos, Os Limites do Capitalismo.

A Escravidão continua sendo uma das formas mais cruéis de exploração humana.

A Escravidão foi o modo de produção primeiro de exploração privada entre homens e mulheres, substituiu as relações primevas, comuns e sem traço de divisão e hierarquia social e de gênero, ainda não havia Estado, instituições complexa, que, inclusive, ajudariam a naturalizar a escravidão, religiões, códigos de leis rudimentares, exércitos regulares e outros.

O Sistema de Produção Escravagista, mesmo substituída pelo sistema feudal, atravessa a história da humanidade, não mais como modo de produção dominante, mas como forma auxiliar de modos de produção distintos, no feudalismo a servidão ainda era forma significativa.

No capitalismo foi usada especialmente nas colônias fora do velho continente, aquele que tolamente enchemos a boca para falar de “civilizado”. Porém a Escravidão, no capitalismo, criou distorções na produção de valor, nas regras concorrenciais e “na ética” do Capital.

Mesmo banida na América e na Europa, a Escravidão sobreviveu na África e na Ásia, por séculos e ameaça retornar em cada nova crise econômica.

Uma reportagem da BBC de 1.11.2019, Empregadas à venda: os apps usados em mercado online de escravos, traz ao debate a questão da Escravidão, ainda que ela nunca tenha saída de cena.

O ressurgimento da Escravidão via Aplicativo não dever ser vista apenas uma questão moral, pois as formas mais baixas de produção de valor, baseada na super exploração (jornadas de trabalho infinitas), uberização, entregadores, os infoproletarios, muitas vezes se aproxima de regimes escravagistas.

Há que se separar a super exploração, consentida (voluntária?), dos que trabalham nessas novas formas de empregabilidade, que muitas vezes pode ser vista como empreendedorismo, ou relação comercial, ainda que haja relação desproporcional de poder entre um particular e um aplicativo (uma empresa que se apresenta como nuvem, quase um fantasma).

Os aplicativos possibilitam novas formas de Escravidão, ou potencializam as existentes, como o tráfico de seres humanos, especialmente de mulheres, jovens, tanto para prostituição, como escravas sexuais, para trabalhos domésticos, para venda de drogas, venda de órgãos.

Todas essas formas se tornam públicas sem que haja um combate efetivo pelo Estado, pois, esse comércio é controlado por várias máfias e com participação da burocracia corrupta dos países, inclusive, os mais ricos.

A discussão é complexa e explosiva, trata-se do futuro de parte significativa da humanidade, que é expulsa do mercado formal de trabalho, sem qualquer esperança partem para qualquer tipo de sobrevivência, que, no fundo, retroalimenta a exploração do regime vigente, o Capitalismo, sem facetas para dourar a pílula: “selvagem”, “humano”, “cognitivo”

A luta de classes que muitos julgam extinta, nunca foi tão pulsante como agora. A realidade mundial é extremamente rica, os avanços tecnológicos e científicos que poderiam ajudar a libertar a humanidade de qualquer forma de exploração, ao contrário, são usados para maximizar os lucros provados, daquele punhado de 700 empresas que controlam 81% da riqueza do mundo.

Dessa contradição insolúvel é que (re)surgem ideologias autoritárias e religiões/seitas cada vez mais reacionárias, a falência do Estado, apenas reforças as crendices em mitos e figuras histriônicas, para que o sistema continue a funcionar e explorar, numa roda viva sem fim.

E segue a luta!

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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