Democracia em Crise: O Alerta da Abstenção Política e Eleitoral

A vitória das forças progressistas em Portugal, não escondem o desânimo com a Democracia.

“Viver é melhor que sonhar” (Belchior)

Nesses últimos anos acompanho de perto os processos eleitorais em várias partes do mundo, formação de governos e faço uma associação às crises econômicas, especialmente a de 2005-2008. O que se constata é uma baixa participação popular aos processos políticos, ontem as eleições portuguesas, mesmo com o reflorescimento econômico, a abstenção “venceu”, 45.5% não foram votar.

Nas eleições italianas a abstenção/anulação foi acima de 30%, na França 37,5%, no Brasil acima 30%, nos EUA, menos de 40% dos eleitores comparecem.

Os números demonstram uma baixa confiança e/ou perspectiva com a política e a democracia, fazendo uma relação com as crises econômicas,  entendemos as questões do Estado e governo não se resolvem, nem mitigam à crise, ao contrário, capturados pelo grande Kapital. aprofundam a distância entre os muito ricos, e os mais pobres, sem nenhuma política púbica que os protejam.

O empobrecimento/proletarização das chamadas classes médias urbanas, profissionais liberais, intelectuais, artistas, como também a precarização dos trabalhadores, a uberização dos trabalhos, comandos diretos socialmente por aplicativos, aprofundam as contradições humanas, tudo isso, combinado com a perda de efetividade do Estado de Direito, levam a descrença nos processos eleitorais, como forma de mudança real;

A quebra do estado de bem-estar social e do desmonte da própria democracia e seus controlados limites legais. por imposição da oligarquia financeira, tornaram dramáticas as condições e os direitos humanos mais elementares, pois a única saída para o controle das revoltas, ainda que não massivas, é a repressão aberta, pelas forças de seguranças, ou repressão mais sutis via controle ideológico, escola sem partido, sem ideologia e outras formas que criam, a cada instante.

As forças políticas que se opõem à barbárie, precisam aprofundar esse debate mais estratégico, compreender o fenômeno dos retrocessos institucionais, para entender o avanço implacável do neofascismo, que, por si só, não agrega novos votantes, mas cresceu nos votos de protestos que questionam a política e a democracia, de forma geral, sem nenhuma expectativa de que se mude.

As condições políticas sem democracia, ou com ela capengando, são sempre piores para os trabalhadores e o povo em geral, pode parecer conservador, e é, mas a maior tarefa de um militante é defender o Estado de Direito, inclusive, por sua própria sobrevivência física,

Ao debate, ou não.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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