Crise do Kapital – Wall Street Manda um Beijo.

Wall Street mandou o aviso fatal… 2008 volta a assustar.
“A fortuna troca muita vez as mãos à natureza. Formado para as serenas funções do capitalismo, tio Cosme não enriquecia no foro: ia comendo” (Dom Casmurro – Machado de Assis).

A teimosia é algo fantástico, por mais dolorido que seja, voltar a bater nos velhos conceitos, mesmo sabendo que além de não ser lido, pior, é não ser compreendido, pois a preguiça é a maior aliada da burrice. Então iremos ao embate, principalmente agora que as luzes vermelhas estão piscando em Wall Street, aí cria um alvoroço na Direita, na esquerda mais ainda, abrem Marx sem encontrar as páginas.

As crises do Kapital são cíclicas, elas acontecem no pico, na superprodução, abundância, não o contrário na queda e pobreza. A maioria de nós só percebe a Crise quando ela já passou, na baixa, no desemprego e/ou na quebra de empresas. O que na verdade enxergam é a retomada, a destruição de forças produtivas para um novo ciclo que se avizinha, sem a Revolução, o Kapital retoma.

Mas por que assim se dá? A crise do Kapital está na diminuição da Taxa de Lucro, todos os indicadores estão ótimos, emprego, salários e preços, mas a força vital do Kapital, a taxa de lucro, está comprimida pela superprodução de valor. A crise é “a pletora do Kapital” então se torna evidente e a única saída é a queima de Kapital, forças produtivas, para recompor ou ajustar a patamares superior a Taxa de lucro e o Kapital renasce como a Fênix.

Nesse movimento dialético, cíclico, na crise se abre a possibilidade de ruptura real com o sistema capitalista. A combinação de fatores que podem levar à Revolução. Esse hiato, entre os ciclos, raramente, é analisado pelos Partidos revolucionários, mesmo os mais preparados, com grandes quadros, imaginemos agora, nesse deserto ideológico terrível?

Por essas questões práticas é que há um profundo equívoco em se classificar as Crises como Crise Terminal ou como sendo Crise Permanente. Essas duas concepções desarmam os trabalhadores e impedem a Ruptura. O Kapital não cairá de “maduro”, muito menos permanecerá para sempre em crise, ainda que demore a se recompor, ele se recompõe e por esse fato desmoraliza as duas tendências daninhas de análises não marxistas.

O rigor está em encontrar o momento certo da análise do pico de superprodução e ter saída política alternativa para a ruptura. Qualquer coisa diferente, não apenas não contribui com a ruptura, como também atrapalha com esperanças vãs de que algo divino nos liberte.

Os exemplos são fartos de como a realidade derruba as visões tacanhas sobre o movimento do Kapital. Basta ver a recuperação última dos EUA ou até da destruída Portugal. Mas fiquemos atentos também, pois todas as tarefas de queima de Kapital foram feitas no Brasil, o que levará em breve a um novo ciclo de crescimento, não importa o fôlego e em quais condições.

Sem a ruptura, o Kapital, se recupera e volta, na maioria das vezes, mais forte e mais feroz contra a classe trabalhadora em especial e ao povo em geral.

2 thoughts on “Crise do Kapital – Wall Street Manda um Beijo.”

  1. “Não lido” uma pinoia, hehe. E ri alto com esse “abrem Marx sem encontrar as páginas”. Estamos que nem barata voa nesse “deserto ideológico terrível”. As pessoas chegaram a um estado tal de desnorteio que estão ficando fascistoides. É, gente da esquerda… Mando uma banana pra Wall Street.

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