A Solidariedade é não deixar cair.

A Solidariedade é não deixar cair.

“Olho atrás, e procuro os companheiros:
Todos lassos e em dor me abandonaram,
Despenhando-se em terra ou sobre as chamas”. (Eneida – Virgílio)

Parece inevitável que de vez em quando retome, aqui no blog (como também o faça na vida) temas incômodos, principalmente nesses tempos sombrios. Talvez, entre estes (temas), o mais caro seja a questão das relações pessoais, especialmente a solidariedade humana perdida, triturada e liquidificada pela velocidade e volatilidade das relações ditas modernas.

É duro constatar que não somos nenhum Roberto Carlos, mas dizemos orgulhosos de que temos “milhões de amigos” (99.9999% deles Virtuais), entretanto com tantos contatos por que não abraçamos quase nenhum? Nas “horas mortas” ou mais decisivas contamos com um ou dois, nada mais que isso, alguma coisa não está funcionando bem, especulemos mais.

Recebemos e fazemos milhares de chamadas e trocamos milhões de mensagens em todas as redes sociais possíveis e imagináveis, porém não se convertem em um único aperto de mãos ou um ouvido paciente para escutar o outro verdadeiramente face a face, na hora em que mais se precisa, que fará a diferença entre a vida ou a morte, entre se manter na luta sincera ou se converter ao cinismo padrão.

A superficialidade ilusória de como vamos somando nossos contatos (pois não passam de contatos) realmente não vai redundar em calor humano, ainda que muitos virem até em pegação e sexo. A contradição é que temos tudo muito próximo e imediato, mas parece que estamos cada dia mais longes e insensíveis a tudo que nos cerca. Há relação de “consumo-satisfação”, mas de pouca ou nenhuma afetividade e efetividade.

Cada vez mais percebo que não há qualquer possibilidade de se estabelecer relações humanas reais com mais profundidade, o medo e o individualismo egoísta impedem a aproximação.

Em quem confiar? Essa pessoa pode ser meu concorrente, tomar minha vaga no trabalho ou minha posição/cargo social, roubar minha audiência no blog. O maldito e desenfreado “me ajuda, que te ajuda” acaba disseminando a lógica da tal meritocracia, transformando os contatos em relações de consumo, perfeitamente descartáveis, fácil de bloquear, deletar (delatar, também) e excluir.

O risco do fim do humanismo coincide exatamente na época em que estamos “mais próximos”, mas também mais distantes e isolados. Todas as razões plausíveis podem explicar, justificar cada ação ou omissão de cada um de nós: as inapeláveis desculpas de trânsito, distâncias, compromissos, atividades, tudo perfeito, alivia a “culpa”, mas martela (ou não) na consciência.

Por fim, em caso de emergência, liga para o SAMU!!!