#VaiBrasil – Todas as Copas – 1978 – O Campeão "Moral"

Grandes craques, mas uma seleção mal dirigida, sem empolgar.
Grandes craques, mas uma seleção mal dirigida, sem empolgar.

 

Estamos nos aproximando do maior evento esportivo mundial, nada se compara com Futebol, a atração que exerce em todos os cantos do planeta, movimentando milhões de pessoas, seus sonhos, suas paixões. Atraindo muito dinheiro e audiência para TVs, Rádios, Jornais e principalmente Internet com imensa, intensa, troca de experiências e afirmação de identidade de cada país. A Copa do Mundo para ser definida em apenas uma palavra: Show.

Minhas experiência com a Copa do Mundo data de 1978, mesmo tendo nascido em 1969, aos 5 anos, em1974, não tínhamos TV em casa, também não havia toda esta variedade de transmissões, portanto a copa da Alemanha foi algo distante de mim, não tenho nenhuma lembrança triste ou feliz. Em 1976, com um TV pequenina, acho que de 11 polegadas, imagem preta e branca, com uma antena que não sintonizava quase nada, consegui “ver” entre um chuviscado e outro, a   romena Nadia Comaneci ganhar 10 nas Olimpíadas de Montreal, que coisa espetacular.

Quando chegou 1978, estava perto de fazer 9 anos e já era fanático por futebol, estudava num colégio de freiras na minha cidade natal, Bela Cruz, interior do Ceará. Naqueles dias de copa do mundo, não perdia um jogo, ainda brigava com a imagem na nossa pequena TV em casa, mas já tinha na casa de amigos as fantásticas TVs “quase” coloridas, aquelas Telefunken ou National, o tudo era enorme, a imagem mais ou menos, mas de vez em quando aparecia uma imagem colorida, era a glória.

Estávamos no meio de uma Ditadura, não tinha ideia do que significava aquilo, mas lembro de que morríamos de medo dos “vermelhos”, dos Russos, aqui uma passagem engraçada da vida, pois tinha uma cidade no Ceará chamada Novas Russas, então era um terror saber que os “russos” estavam tão perto de nós.

O Brasil na copa de 1978 jogava um futebol confuso, o técnico Coutinho dava entrevista e eu não entendia nada, hoje até entendendo, mas na época o time não empolgava, os três primeiros jogos foram de sofrimento absoluto, começando com o primeiro empate de 1 x 1 com a Suécia, gol anulado do Brasil. O segundo jogo um 0 x 0 horrível com a Espanha, com grandes defesas do zagueiro Amaral, disto lembro nitidamente.

O terceiro jogo nós estávamos em Piripiri no Piauí visitando uns tios, meu pai tinha uma Belina, Ford, resolveu voltar para Bela Cruz justamente na hora do jogo, meu pai detestava futebol, era um domingo, saíamos por volta do meio dia, o jogo começava às 13:45. Mas a nosso pedido, meu pai colocou no rádio o jogo, uma transmissão AM, o Brasil 1 x 0 Austria, gol do Roberto Dinamite, jogador que gostava demais, o centroavante do Vasco da Gama, em seu primeiro jogo como titular. As estradas eram de terra e como estava chovendo a comemoração do gol foi meu pai cortando uma poça d’água, nós todos sorrindo felizes, naquele carro lotado.

Na segunda fase o Brasil pegou o grupo da Argentina, pois ficou em segundo lugar no se grupo. Tinha neste Grupo: Brasil, Argentina, Polônia e Peru. Todo contra todos os primeiros colocados disputava a final. O Brasil fez uma grande partida contra o Peru, que tinha uma boa seleção, fizemos 3 x 0, o Dirceu acabou com o jogo fazendo 2 gols e o Zico completou num pênalti. A segunda partida foi uma das mais horrorosas que vi em copa, Brasil 0 x 0 Argentina, aquilo foi tudo menos futebol, a rivalidade e o medo dos dois lados, pois quem perdesse estaria praticamente fora, não poderia ter outro resultado que não um empate.

Tudo ficou para a última rodada, aí uma malandragem empurrou o jogo da Argentina contra o Peru para ser a noite, enquanto o Brasil jogou contra a Polônia a tarde, no outro grupo os jogos finais foram no mesmo horário. Mas a malícia se revelaria ainda mais trágica, o Brasil venceu a Polônia por 3 X 1, ficando com 5 gols de saldo e cinco pontos, a Argentina tinha 3 pontos e 2 gols de saldos. Aconteceu um dos maiores absurdos, mesmo com uma ótima seleção, dificilmente a Argentina ganharia de 6 x 0 do Peru, este jogo maculou definitivamente aquela Copa.

O Brasil disputou o terceiro lugar contra a Itália, assisti ao jogo numa tristeza danada, a seleção jogando muito mal, perdendo de 0 x 1, nada acontecia de bom, até que lá pelos 20 do segundo tempo, Nelinho, um bom lateral direito do Cruzeiro, acertou um chute fantástico, um daqueles gols espetaculares, uma “rosca” no ângulo de Dino Zoff, o grande arqueiro italiano. Mais uns 10 minutos e Dirceu fez outro golaço, Brasil virou “campeão Moral” da Copa. A Argentina para delírio de sua Ditadura sanguinária venceu a já decadente Holanda do antigo carrossel, não foi fácil, 3 x 1 na prorrogação.

Esta foi minha primeira Copa de verdade, mas mesmo com a derrota do Brasil, sem dúvida, tornei-me ainda mais apaixonado por futebol, a mítica camisa amarela do Brasil com escudo da CBD nunca saiu da minha memória, muito menos aquele gol espetacular do Nelinho, é a melhor imagem que tenho da Copa de 1978 e da minha pequena TV preto e branco.

Conte-nos como foi sua Copa de 1978, ajude-nos a ter mais visões sobre aquele mundial, agradeço antecipadamente.

Brasil 2 x 1 Itália (Copa do Mundo 1978)

Imagem de Amostra do You Tube

2 thoughts on “#VaiBrasil – Todas as Copas – 1978 – O Campeão "Moral"”

  1. Em 78 fiz vestibular, e passei, na UFPR, para Farmácia, com intenção de fechar com Bioquímica, como de fato acabei fazendo em 82, ano de outra Copa, tbém, de triste lembrança prá gente. Como havia passado em 2° semestre, curti uma espécie de férias forçadas, ao longo deste período, até agosto do mesmo ano, o que me possibilitou assistir à Copa daquele ano, “na íntegra”!

    Lembro que estava afim de uma garota catarinense que morava no mesmo prédio e até chegou a rolar um clima, justamente durante a Copa, mas que não passou disso, do clima…

    Quem era afim mesmo de mim era a irmã dela, só que aí quem não estava nem aí era eu.

    Lembro tbém, é claro, da revolta pelo arranjo do 6 x 0 da Argentina no Perú, que tinha goleiro argentino naturalizado peruano e que naquele jogo tomou gol de tudo qto foi jeito, ele que vinha sendo uma das revelações do torneio.

    No final, a torcida pela Holanda, sem nenhum sentimento de “Pátria Grande” à época e sem nenhuma ideia do que era política, tbém.

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