Os Caminhos do Papa Francisco e da Igreja

 

Papa Francisco em visita ao Brasil, um grande comunicador.

 

A escolha de uma Papa é sempre cercada de mistérios e de acertos internos, acordos que dificilmente chegarão ao grande público, ficando restrito aos estudiosos e aos corredores da igreja, mas num nível extremamente diminuto. Exceto no conclave que escolheu Ratzinger, em geral o escolhido é sempre uma surpresa,não foi diferente na última, quando surgiu o Cardeal Jorge Mario Bergoglio na janela, o olhar dele e do público era de espanto.

Neste conclave acompanhei bem mais de perto e fiquei extremamente surpreso, pois não havia nenhuma sinalização de que o Cardeal Argentino estive como forte concorrente, visto que havia um quase consenso de que o escolhido seria mais jovem, não passando dos 65 anos. Erroneamente conclui que “a igreja fez a opção para continuar sua sangria, com uma escolha para lá de ruim, o Cardeal Bergoglio já fora candidatíssimo em 2005, quando ainda tinha 68 anos, hoje aos 76 anos, não terá um longo mandato, as lutas internas continuarão, os problemas não serão enfrentados com a urgência necessária, assim como Ratzinger, lhe faltará energia e apoio. O seu nome é bem visto na cúpula, tido como bem relacionado e de muito diálogo. Porém, sua imagem, será lembrada pelas acusações de que colaborou com a ditadura argentina, com documentos oficiais sobre as suas ações”( Habemus Papam, Ou Mais um Interino?).

Agora, quatro meses depois, devo dizer que o Papa Francisco tem  feito um papado bem diferente do que pensava naqueles dias do conclave, uma escolha que parece ter sido para lá de acertada pela igreja, olhando do ponto de vista da Igreja. A primeira questão fundamental deste momento é que o papa se mostrou um homem de diálogo, de muita sensibilidade e franqueza nas palavras, inclusive  não se negando a responder as perguntas mais capciosas nos frequentes contatos com os jornalistas. É um excelente comunicador e ótimo formulador de sentenças, precisas e concisas que surpreende na visão oportuna do que acontece no mundo.

A recente visita do Papa Francisco ao Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude(Católica) foi vitoriosa, teve contato direto com os fiéis, em todas as oportunidades ele buscou ouvir, se aproximar, quebrando barreiras, não temendo situações complicadas como a do carro cercado por populares, ou o rompimento do protocolo. O papa teve muito vigor em enfrentar uma maratona de eventos, exaustivos que a sua saúde frágil e a idade avançada, pareceu não ter influenciado. Mas o que mais impressionou foi o carisma e afabilidade, o sorriso e comunicação precisa.

É fato que o Papa recebeu um legado extremamente pesado, corrupção e escândalos e ainda à sombra de papa vivo, com todos seus aliados ocupando os cargos chaves, além da disputa dos bastidores que geraram o Vatileaks, o centro da renúncia de Ratzinger. Enquanto estava no Brasil mais um escândalo de corrupção foi revelado no IOR, o Banco do Vaticano, mas, ao contrário das outras vezes, o papa afastou imediatamente os envolvidos e propôs uma mudança mais ampla na instituição, que é famosa por seus constantes escândalos.

Obviamente que é muito cedo para enxergar grandes mudanças, se é que elas vão acontecer, mas é uma perspectiva bem melhor do que se tinha no Vaticano, que tem o domínio dos mais renitentes reacionários na sua cúpula, vamos ver até onde o Papa Francisco conseguirá avançar, que não fique apenas na promessa, o decisivo mesmo será na montagem de sua equipe, do seu chefe de estado e de quem vai liderar a Santo Ofício. Também não adianta esperar uma revolução numa instituição milenar, mas é preciso acompanhar como a Igreja vai se relocalizar num mundo tão diferente dos dogmas milenares.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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