Joaquim “Batman”, A Grosseria Sem Fim

O “Herói” do “Gigante”, além de autoritário, é mal educado

“Mas, ao cair a máscara das boas-maneiras, o que primeiro surge não é a sociabilidade natural, mas sim o nível de caráter perverso-sádico”. ( Wihelm Reich – Psicologia de Massas do Fascismo)

O episódio de ontem em que deixou de cumprimentar a Presidenta Dilma na recepção do Papa Francisco é a falta grave de respeito e urbanidade, ali não estava a Mulher, nem o Homem, mas sim duas das mais altas autoridades do país, diante de um chefe de estado estrangeiro, não é ambiente de confronto político ou de idiossincrasias, ali cada um tem seu papel na República e devem cumpri-lo com zelo e respeito. A falta de civilidade rebaixa ainda mais o personagem, não quem foi desrespeitado, no caso a Presidenta, quem em última instância é a Maior autoridade, não ele, que foi rude e grosseiro.

Em março tinha escrito um artigo (Joaquim Barbosa: De Batman a Coringa? ) sobre o discreto abandono da mídia ao Ministro Joaquim Barbosa, de herói do Mensalão ele estava paulatinamente sendo deixado de lado e sua verve autoritária estava sendo provocada, ali o defendi, pois percebia que o jogo tinha sido jogado agora a máquina o descartava. Assim descrevi a situação:

“Joaquim Barbosa, próximo a ser Presidente do STF, por tradição o rodízio a cada dois anos, coincidiu com o início do julgamento do mensalão, as vozes na mídia e nos sites especializado, de advogados e juristas, era de que ele não deveria assumir, melhor romper a tradição a deixar um bruto ser o Presidente da corte. Nas redes sociais, nas redações as notinhas, as insinuações anti-Joaquim, cessou quando ele assumiu a tese da condenação cabal de todos os acusados. Partindo de uma tese extremamente perigosa, de condenação por “domínio dos fatos” Joaquim liderou a ampla condenação dos réus, o que modifica a jurisprudência de forma radical, se realmente for seguida nos próximos julgamentos.

Por vias tortas, o “rejeitado” Ministro Joaquim Barbosa, virou o “menino pobre que mudou o Brasil”( por Veja), o Batman, o vingador da sociedade e tantos epítetos que se somaram. O herói da mídia se consolidou, naquele momento, sua “eleição” à Presidência, foi, digamos, “tranquila”. Os mais afoitos, mesmo nas redes sociais, enfiaram o rabo entre as pernas e engoliram o “Batman”. Mas, parece, que só foi na aparência, o dia seguinte estava sendo preparado, veio com mais rapidez do que esperava”.

Mesmo assim, Joaquim Barbosa, continuou suas trombadas, com as entidades representativas de juízes em que cortava a palavra e não respeitava nenhum de seus membros, tratando-os como ineptos. Depois se referiu aos advogados que acordavam depois das 11 horas da manhã. No meio tempo alguns episódios o constrangeram como a aprovação dos novos Tribunais Federais que ele se opunha, mesmo aprovado no Congresso Nacional, tratou de impedir a instalação dos mesmos.

Mas a figura autoritária é vista como “Batman”, o purificador dos males da sociedade corrupta, o juiz durão, sendo inclusive bem avaliado pelos “Gigantes Toddynhos” do “Outono Brasileiro”, especulando sobre sua candidatura ou até mesmo assumir o governo se houvesse uma derrubada geral da ordem com queda dos poderes legislativo e executivo. Mas, neste último período o moralista começou a ser desmascarado, o recebimento de pagamentos que condenava, a reforma caríssima de seu apartamento funcional. O recebimento de pagamentos de salários da UERJ sem trabalhar e por último a estranha compra de um apartamento em Miami feito por uma empresa criada em seu nome apenas para burlar o fisco.

Como escrevi também sobre a psicologia de massas (A Psicologia de Massas do Fascimo – Ou, o Gigante Acordou) daquele movimento de junho, Joaquim Barbosa, sem dúvida encarna o personagem de Reich, leiamos:

“A mentalidade fascista é a mentalidade do “Zé Ninguém”, que é subjugado, sedento de autoridade e, ao mesmo tempo, revoltado. Não é por acaso que todos os ditadores fascistas são oriundos do ambiente reacionário do “Zé Ninguém”. O magnata industrial e o militarista feudal não fazem mais do que aproveitar-se deste fato social para os seus próprios fins, depois de ele se ter desenvolvido no domínio da repressão generalizada dos impulsos vitais. Sob a forma de fascismo, a civilização autoritária e mecanicista colhe no. “Zé Ninguém” reprimido nada mais do que aquilo que ele semeou nas massas de seres humanos subjugados, por meio do misticismo, militarismo e automatismo durante séculos. O “Zé Ninguém” observou bem demais o comportamento do grande homem, e o reproduz de modo distorcido e grotesco. O fascista é o segundo sargento do exército gigantesco da nossa civilização industrial gravemente doente. Não é impunemente que o circo da alta política se apresenta perante o. “Zé Ninguém”; pois o pequeno sargento excedeu em tudo o general imperialista: na música marcial, no passo de ganso, no comandar e no obedecer, no medo das ideias, na diplomacia, na estratégia e na tática, nos uniformes e nas paradas, nos enfeites e nas condecorações. Um imperador Guilherme foi em tudo isto simples “amador”, se comparado com um Hitler, filho de um pobre funcionário público. Quando um general “proletário” enche o peito de medalhas, trata-se do “Zé Ninguém” que não quer “ficar atrás” do “verdadeiro” general”.

O discurso elaborado pelo ministro também coincide com outra caracterização de Reich que diz que “quando se ouve um indivíduo fascista, de qualquer tendência, insistir em apregoar a “honra da nação” (em vez da honra do homem) ou a “salvação da sagrada família e da raça” (em vez da sociedade de trabalhadores); quando o fascista procura se evidenciar, recorrendo a toda a espécie de chavões”. 

Por fim, lembrando o Hamlet sobre a doença dos grandes: “Na alma dele algo a melancolia está chocando; e não duvido que o produto possa causar algum perigo, que é preciso prevenir. […] É sempre ousada a loucura dos grandes não vigiada”.

É um triste personagem, mas que não pode ser tornar um risco para democracia e para as instituições.

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