Alemanha 8 x 1 Espanha – Crise e Decadência Econômica.

 

Lewandoski – A Supremacia Alemã, atropela Espanha também no Futebol. Foto : AFP

 

A série sobre a Crise 2.0 teve como dois pilares centrais a Alemanha e a Espanha, os extremos na Europa, na Zona do Euro, pois ambas são, ou eram, economias de peso. A Grécia, Portugal, Irlanda e, menos ainda, Chipre, não têm PIB significativos que pudessem causar estragos tão grandes ao bloco. Entretando, Alemanha, numa ponta, Espanha, em outra, sim, determinam um ritmo de crise que levou ao atoleiro geral.

Nesta semana, por uma irônica coincidência, a Espanha entregou sua última riqueza, a hegemonia do Futebol na Europa, quem sabe no mundo. O crescimento da Bundesliga e a queda da Liga Espanhola, não são meros acasos, refletem diretamente a situação econômica dos dois países. Mesmo Real e Barcelona estarem entre os clubes mais valorizados do mundo, têm pesadíssimas dívidas que podem afundá-los, claro, se abrirem mão de suas principais estrelas, amenizaria o rombo, não o buraco geral. As acachapantes vitórias de Bayern de Munique e do Borussia Dortmund dizem muito mais sobre economia do que sobre futebol.

Como repisamos longamente aqui sobre o momento da eclosão das crises, que se dá no pico da superprodução de Capital, jamais no vale, um erro comum  cometido pelos economistas vulgares, o que nos levou a definir que a crise atual se iniciou nos EUA em 2005 e na Europa em 2007, justamente nos momentos de maior vigor destas economias. Caso exemplar é o espanhol, em 2007 os números eram brilhantes: Desemprego de 7,95%, um oásis num país acostumado à índices altos de desemprego. Segundo o déficit público era de menos de 3% e a relação PIB x Dívida Pública não passava de 36%. O país era visto como um “tigre europeu”, cidades modernas, grandes obras, prédios novos, crédito fácil e um chamariz de capital.

O gráfico do El País de hoje demonstra a curva do desemprego desde 2002:

Fonte: INE. / EL PAÍS

 

São 6,2 milhões de desempregados, 3,5 vezes mais do que a 6 anos(meados de 2007), uma verdadeira tragédia humana. Enquanto o salário mínimo da França é de 9,4 euros por hora, na Espanha é de 2,6 euros. A Dívida pública explodiu batendo perto de 90%, aumento 20% apenas em 2012, ano do maior ajuste fiscal da história, com cortes violentos dos gastos públicos, o déficit público não baixou dos 8,3%, a ideia era de que caísse aos 6% no ano de 2012. É uma sequencia trágica, que colocou a Espanha de volta à realidade de país pobre.

 

A outra ponta, a Alemanha, já repisei aqui, que se alimentou da desgraça geral destes países, em particular da Espanha, quem lhe deu amplo superávit comercial de mais de 300 bilhões de Euros em 10 anos. O aporte de capital alemão, na época de vacas gordas, retornava fielmente através da balança comercial desfavorável e com os serviços da dívida pública paga pelo Estado aos bancos, principalmente alemães e franceses. Este imenso desequilíbrio é e, continua a ser, a maior fonte de tragédia da Espanha e dos demais países, como Grécia, Portugal e Irlanda. O modelo da UE beneficiou integralmente a Alemanha, antes não parecia claro, mas na crise a realidade se expôs a olhos nus.

O sintoma mais visível da crise na Europa é o imenso desemprego, que passou de 12% na soma geral, com dados bastante discutíveis na Alemanha e Holanda, por exemplo, mas até neles tem aumentado. Os números da Alemanha continuam bons, diante dos outros, algo em torno de 7%, mas não chega a ser confortável, quando se olha a quantidade de empregos precários, considerado como empregos. Em 3 meses a Espanha acrescentou 240 mil novos desempregados, e há 1,9 milhões pessoas cujos lares em que ninguém trabalha.

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