Diário de Redenção – Dia 3 – A Questão da Fé.

A fé no horizonte, no porvir.
“O deus muda o rumo, o céu deixa e vem à terra
sem disfarçar; tanta é a fé em sua figura.”
(Metamorfoses – Ovídio)

Em nenhum momento da vida subestimei ou menosprezei a fé alheia, em particular, enquanto características religiosas esotérica e política, pois ela, a fé, move e impulsiona as pessoas, nações, povos a fazerem realizações aparentemente impossíveis ou improváveis. Algumas vezes penso que viver é um ato de fé, especialmente, nos extremos e rupturas com os conceitos elementares da vida em coletividade.

Da amplitude da fé coletiva, ou apenas a fé limitada a cada indivíduo, essa última, tem sempre um peso nas suas decisões, no seu comportamento e no modo como encara a existência. Muitas vezes a fé é reduzida à questão da relação com Deus, deuses, divindades, assim, esse fé se empobrece e perde seu mais genuíno valor, virando quase uma superstição.

Muitas vezes a Fé vira apenas o medo do pecado ou de ser condenado pela “pouca fé”, feito Tomé, na mitologia cristã, ou da mulher de Lot, que olha para trás, vira pedra de sal, ou ainda Orfeu, que perde Eurídice, porque olha também para trás, na mitologia grega.

Pois crê, exige confiar que algo extraordinário acontecerá, sem que nada, a princípio, se prove, pois, é nisso que reside a Fé: Acreditar que o abstrato, vire concreto, por outro lado, o concreto, vire abstrato.

As nossas lutas pessoais, dos amigos e da família, com relação a Letícia, transcendem a fé ligada a uma religião ou credo, aqui se somam  pessoas de diferentes correntes religiosas, filosóficas ou quem nem tem qualquer vínculo com religiosidade, apenas, juntos, vibramos numa mesma sintonia de cuidado, de solidariedade, de energia e de amor à vida.

A rotina é lenta para quem segue, mas muito intensa para Letícia, exames, conferências de parâmetros, remédios para cada sintoma, cada coisa fora do normal, tudo submetido ao processamento da droga principal, Blinatumomabe, que corre lentamente de forma ininterrupta, cada dia é um dia a menos, é vencer e manter mente e corpo, saudáveis, firmes para o próximo dia.

Às vezes a felicidade aqui, no hospital, é fazer xixi, pois é fundamental para expelir as drogas injetada em quantidades cavalares, que sobrecarregam os órgãos, ao mesmo tempo que corre soro em abundância, mas tudo deveria sair na urina. Como também ajuda para não reter líquidos e ter sobrepeso, que desmotiva e dificulta a disposição de sair da cama. São pequenas coisas, como todo momento feliz.

Sendo a Fé, positiva, o amalgama que nos une, reúne, que nos faz acreditar que a luta de Letícia, também é nossa, sigamos juntos e misturados.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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