3/4

As nuvens se formam, o mar se agita, mas a vida não vive a Tempestade.

 

“Espíritos, que por artes minhas,
Chamei dos seus refúgios para darem vida
Às minhas fantasias”. (A Tempestade – W. Shakespeare)

Quanto nos doamos a qualquer coisa na vida, mais do que 3/4? Quantas vezes já vivemos 3/4, no calendário da nossa existência? É uma porção perfeita ou uma data? O que realmente nos define? A capacidade de ir além de 3 em 4, ou de passar pela folhinha 3/4 seguidamente? Parece que tudo é parcial e a (in) consciência impõe um limite lógico ao irracional e doma o animal que nos habita.

A proporcionalidade, enorme, dos 3/4 (75%), não se completa o que pode ser a impossibilidade de ser e viver, ou medo, ou a incompetência, ou seria apenas o instinto de se preservar alguma coisa e nunca viver o TODO, melhor será se conformar com a quarta Parte.

Aceitar que só se tem a incompletude, será que a plenitude nos rouba as forças, causa o pânico, tira o chão dos pés,  traz o receio de que não se vai ao extremo do mundo, muito menos ainda ao extemo dos sentimentos: Amor, paixão, ódio, apego, amizade, sexo e prazer, nada de Êxtase (sair de si).

E a era dos extremos não será vivida pela nossa mediana existência, qualquer ponto, acima dos 3/4, sairá da normalidade, do padrão, o isolamento, a Sibéria virtual é o castigo dos que se arriscam, mesmo os falsos “espíritos livres”, que na imensa maioria das vezes, nem ao 3/4 chegam, morrem nos 2/3 ou vive nos dois terços, mas representam tão bem que enganam, porém com o olhar atento, aumente a lente e veja o medíocre em cena.

Quando pensamos que somos algo como Próspero, na sua ilha fantástica, afundando navios, em que se brinca de ajustar e dar conformidade aos sentimentos e pessoas, nem percebemos o quanto Procusto sequestrou nossa mente, cortando pernas, mãos, principalmente, consciência daqueles que não são padrão. Formatando mentes, pessoas, não permitindo que se superem os 3/4, mesmo nos achando mais do que 4 por 4.

Aqui não cabe explicar metáforas e referências, a tomada de consciência, da razão, de ideologia, ou do que é amor, tem caráter que é absolutamente individual, a centelha de que se sabe o significado de qualquer um deles, que se pode ultrapassar os 3/4, ir ao 4 de maio, não nos obriga ou impõe que seremos Caronte e vamos transportar “almas” para além do rio.

O inusitado é que vivemos a fase do retorno às trevas, do 1/4, do eterno dia da mentira ou de apenas do 1 em 4, mesmo os mais brilhantes e descolados, vivem em suas jaulas pessoais, rompem e desprezam aqueles que poderiam apenas os acompanhar numa nova jornada, Porém, suas aparentes irreverências, se revelam menores, pois vivem se achando acima de 3/4, nem desconfiam do autoengano, distribuem imagem, jamais essência.

Um dia descobri o 3/4 9 (o dia?), quase um ano, ou seria o limite da inteligência? A consciência pode paralisar ou impulsionar as maiores mudanças, um caminho entre Hamlet, o reflexivo, ou Quixote, o intrépido. Mas depois disso, nada será igual ao antes, com quem quer ou com quem realmente importa. De toda realidade virtual/líquida, ainda assim, escolhemos a ser apenas 3/4.

Vida que segue, ou não.

Pearl Jam – Black

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