Ei, Obama, Vai para Cuba!

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Obama e Raul Castro aproximam seus países (foto: AP Photo/SABC Pool, File)
Obama e Raul Castro aproximam seus países (foto: AP Photo/SABC Pool, File)

Ontem foi um dia histórico, depois de 53 anos, Cuba e EUA, voltaram a ter relações diplomáticas, o que vem a corrigir uma aberração no mundo da diplomacia. Um país minúsculo (110 mil km²)  , uma ilha no Caribe, com pouco mais de 11 milhões de habitantes, com um PIB miserável de 120 bilhões de dólares, incomodava tanto a imensa potência, a única do mundo atual, com seus 308 milhões de habitantes, PIB de 17 trilhões e território 90 vezes maior que o de Cuba. Qual a razão deste disparate?

A ideologia os superava sem dúvida, mas não é uma resposta completa e aceitável, pois a China com bem mais poder e problemas potenciais manteve relações diplomáticas com os EUA, retomada ainda nos ano de 1970. Ou mesmo a ex-URSS, com todo potencial bélico e de disputa mundial política, não rompeu as relações com o império americano. Cuba não representa, do ponto de visto econômico ou de força militar nenhum risco aos EUA, então qual a justificativa do rompimento diplomático e , pior, do bloqueio econômico a pequena Cuba?

É como se um elefante lutasse contra uma formiga, cujo andar e marcha a qualquer instante poderia pisar e esmagar a pequena formiga, ainda que sem querer, ou por deliberação própria. Esta relação de poder e de necessidade de submissão completa, vassalagem, exigida pelos EUA aos seus irmãos americanos, não foi aceita por Cuba, nem mesmo com o fim da ex-URSS, que ajudava na dura sobrevivência do país, com apoio logístico e comercial, fornecendo o elementar para o dia a dia da Ilha. É notável a resistência e o orgulho do pequeno país, de não se curvar ao gigante.

A resistência cubana tem seus efeitos próprios como a manutenção dos irmãos Castro no poder, o que para mim é um absurdo completo, nada justifica a permanência no poder de uma pessoa ou de uma família. Respeito profundamente à decisão dos cubanos, sua construção alternativa de economia, que é controlada pelo Estado, que produziu grandes resultados social, notadamente na educação e saúde, mas ao mesmo tempo tem déficits na questão da liberdade, da autonomia individual, mas entendo que somente eles, os cubanos, podem romper com esta lógica de poder e de Estado, sem intervenção externa.

Em grande medida, o isolamento imposto pelo EUA, consolidou e cristalizou as relações internas de poder, democracia e liberdade em Cuba, ao contrário de combater o “regime”, fortaleceu. Ao mesmo tempo, o povo cubano criou sua própria história, se equilibrando entre tantas dificuldades, se manteve firme e dá lições imensas de desprendimento material. Um grande exemplo desta fibra e humanidade é a ação dos médicos cubanos pelo mundo, agora aqui no Brasil que os conhece percebe como são generosos, alegres, profissionais e principalmente, humanos.

O que aconteceu ontem pode ser o início de um novo tempo, de alívio de tensões e que ajudará o povo cubano a decidir com mais liberdade o seu destino, com ou sem os irmãos Castro. Do ponto de vista econômico, o Brasil acabou marcando um gol ao manter relações com Cuba, a construção do Porto Mariel ajudará as empresas brasileira a ficar mais perto do comércio com os EUA, o que contribuirá com o desenvolvimento das exportações brasileiras, assim como alavancará o desenvolvimento de Cuba.

O fim do embargo é o próximo passo, mais difícil, pois a maioria republicana no congresso, o lobby dos gusanos, as forças de extrema-direita preferem a cegueira e continuar achando que vai “matar” Cuba por asfixia, o que até hoje se provou uma tremenda burrice. O resultado prático foi o oposto ao esperado, mas a ideologia do “Vai para Cuba”, parece ser maior do que a inteligência. Isto se reflete no Brasil, nos acólitos locais da extrema-direita americana que repetem à exaustão as mesmas idiotias.

Aqui cabe lembrar a grande figura mundial, o Papa Francisco (como lamento dele já ter 78 anos, completou ontem), pelo que se comenta agora, foi graças a sua intervenção pessoal e do corpo diplomático do Vaticano, que os acordos e as pontes foram criadas para esta reaproximação entre Cuba e EUA. O Papa Francisco é notável e surpreendente, um oásis dentro de uma instituição tão conservadora, tão submissa aos interesses dos poderosos nos últimos tempos, agora, com sua liderança, parece mudar de rumo, mais aberta para o mundo, para a realidade e, sem dúvida, mais em linha com o seu tempo.

Só posso saudar os primeiro acordos e mandar um recado: Obama, Vai para Cuba!!!

Chico Buarque & Pablo Milanés – Como Se Fosse A Primavera

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Canción por la Unidad de Latino America

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admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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