O Homem mais Procurado, a despedida de Philip Seymour Hoffman

Grande Filme, grande atuação de despedida de Philip Seymour
Grande Filme, grande atuação de despedida de Philip Seymour Hoffman

Gosto demais de Philip Seymour Hoffman, excelente ator, extremamente técnico, preciso, uma presença de cena incrível, além de ter feito ótimo filmes. Fez tantos filmes maravilhosos, de comédia ao drama, passando por aventuras, mas de destacava muito na construção dos personagens, na intensidade que criava cada um deles, como se doava e dava vida, personalidade, vestia-se e vivia como eles. Raramente errava nas escolhas e roteiros, não raro superava atores mais consagrados ao contracenar, como fez com Robert de Niro em “Ninguém é Perfeito” (Flawless).

Sua morte prematura, no início deste ano, com apenas 46 anos, nos privará do seu enorme talento. Antes de partir, nos deixou uma grande atuação, o espetacular “O Homem Mais Procurado” (A Most Wanted Man), baseado num romance de espionagem de John Le Carré. Uma grande estória, um roteiro muito bem construído, dirigido por Anton Corbijn, fotógrafo e cineasta neozelandês, mais conhecido por ter feito videoclipes de estrelas do rock, mas com grandes atores (Philip, em especial) o resultado é muito acima da média.

A paranoia dos EUA de combate ao “terrorismo” se multiplicou por mil depois do 11/09, o que se refletiu nas ações dos serviços secretos de todo o mundo, em especial na Europa. Neste cenário, a Alemanha, um grande aliado dos EUA, tem seu serviço de inteligência completamente submisso aos desejos dos americanos, qualquer ação é monitorada e deve ser compartilhada com eles, sem nenhuma autonomia de vontade ou possibilidades de ter uma linha própria de intervenção.

Esta partilha de funções cria uma série de problemas internos na Alemanha, com disputas violentas entre os departamentos de inteligência, algumas vezes pagas com a desmoralização dos “desobedientes” ou até com a vida. O importante é seguir o que a CIA/NSA manda e impõe aos serviços secretos da Europa, independente se há lógica ou não, na linha adotada. Eles estão em ação para “tornar o mundo mais “seguro”, um lugar melhor”, então não se pode pensar diferente, nem agir de forma autônoma, o castigo será líquido e certo.

Günter Bachmann (Philip Seymour Hoffman) é um experiente agente do serviço secreto alemão que caiu em desgraça e removido para Hamburgo, cumprindo um papel secundário na hierarquia da espionagem, quase uma aposentadoria sem graça. A missão dele e de sua pequena celular é vigiar a entrada clandestina de possíveis “terroristas”, através do famoso porto da cidade. Entretanto,  Günter, ainda mantém alguma ambição de se reabilitar diante dos seus superiores e tem uma grande chance quando passa a investigar o fugitivo russo-checheno, Issa Karpov (Grigoriy Dobrygin), convertido ao islã que entra clandestinamente na Alemanha, vindo da Turquia.

Karpov, com a ajuda de uma advogada de um grupo humanitário, Annabel Richter (Rachel McAdams), tentará reaver a fortuna de seu pai, um ex-militar corrupto da Rússia que fez depósitos milionários num banco privado alemão, dirigido pelo banqueiro Tommy Brue (Willem Dafoe). O banco fundado pelo seu pai é uma espécie de lavanderia usada pela máfia russa e outras máfias, Tommy, agora tentar “limpar” o passado e tornar o banco uma instituição legal, mas agora está diante do passado do seu pai, a devolução dos milhões ao jovem Karpov, agora muçulmano, possível jihadista.

O submundo dos financiamentos de grupos mafiosos, políticos e/ou religiosos, bem como a legalização de fundos e fortunas milionárias, é o pano de fundo da ação, muito além da visão da “guerra ao terror”. O velho Günter, sabe bem como se movimenta este submundo, sabe que é mais complexo e intricado do que o slogan dos EUA, mesmo usando de métodos sujos, mantém alguma “ética” em suas ações.

São duas horas intensas, nervosas, com excelentes diálogos e reflexões sobre o mundo atual, a “segurança” que nos é vendida, a necessária demonização e criação dos “inimigos”, a pouca ou nenhuma inteligência dos grupos de inteligências. Percebe-se como se movimentam ricos homens de negócios, banqueiros e fazem a roda girar, mantendo a tensão viva no mundo, pois tudo vira negócios.

A despedida de Philip Seymour Hoffman do cinema, não poderia ser melhor, um grande filme, uma atuação muito acima da média (até esquecemos que ele participou de “Jogos Vorazes”), um personagem ao seu estilo, cheio de nuances, contradições, construído com rigor e força. Ótimas atuações de Rachel McAdams e de Robin Wright, mas ainda a de Willem Dafoe, outro grande ator, que dá grande credibilidade ao banqueiro alemão.

Enfim, cinema de primeira, quem quiser ver está disponível no Netflix.

O Homem Mais Procurado Trailer

Imagem de Amostra do You Tube

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: