Crise 2.0:Estados Unidos da Europa?

 

 

 

(Labirinto de Knossos)

 

A dura realidade da Crise 2.0 vai apresentado um verdadeiro labirinto de soluções, sem o fio de Ariadne para guiar a Europa, ontem Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, português e conservador,  anunciou os cinco pontos do roteiro preparado pela comissão que preside para “salvar” a Zona do Euro:

 

1) uma resposta aos problemas na Grécia;

2) a conclusão das intervenções na zona do euro para conter a crise;

3) uma abordagem coordenada de reforço do sistema bancário;

4) a aceleração de políticas de crescimento e de estabilidade; e

5) a definição de políticas de governança sólidas e integradas para o futuro.

 

Questão da Crise Bancária

 

Apesar de apresentadas como tópicos independentes, o foco deste anuncio, foi a questão do sistema bancário, talvez a “conta” Grega tenha entrado apenas como perfumaria, pois o esforço maior é a crise bancária que mais assusta a Europa, pois olham o recente Setembro de 2008 nos EUA e percebem que a quebra do Lehman Brothers, que parecia uma medida liberal (deixar falir o incompetente), no fundo derrubou todo o sistema, pois não era apenas o Lehman que trabalhava com altas taxas de alavancagem, mas era comum a todo sistema bancário americano.

Também se revelou o número real do valor que o Fundo Europeu precisa para agüentar o tranco: 2 Trilhões de Euros, apenas para reestruturar os bancos módicos 300 Bilhões, particularmente desconfio que este número esconde a verdade, basta ver que só o Dexia tinha 180 Bilhões de créditos podres, o salvamento dele custo 95 bilhões. O Dexia era apenas o 12º Banco.

Mas o que chama atenção é a frase que Durão Barroso fecha o raciocionio sobre o salvamento dos bancos:

“Os bancos que não tenham o capital exigido deverão apresentar planos para obtê-lo. Até que o façam, devem estar proibidos de pagar dividendos e bônus.”

 

Esta questão parece menor, diante da crise, mas não é tão simples assim, no Crise 2.0 -Soluções e “Humor” levantei exatamente isto, que nos EUA os bancos foram estatizados de fato, mas mesmo assim os bônus foram pagos como se nada tivesse acontecido, premiando a corrupção e incompetência. Escrevi assim:

 

“A irrigação dos recursos no sistema não pode ser interrompida, mas os malfeitores que levaram a esta condição não podem receber benesses pelos crimes cometidos, vide caso americano, que os executivos receberam “bônus” mesmo com os bancos falidos e “semi-estatizados”, uma situação anacrônica, que desmoraliza qualquer ajuda ao sistema financeiro, que repito, é necessária.”

 

Penso que do ponto de vista racional, se a EU realmente punir os banqueiros e a burocracia, em parte resolve a questão, pois as pessoas não se sentiram tão lesadas quantos os americanos se sentiram, de ver sua hipotecas executadas, ao mesmo tempo os executivos receberem vultosos bônus como se nada tivesse acontecido.

A questão Política

 

 

4) a aceleração de políticas de crescimento e de estabilidade; e

5) a definição de políticas de governança sólidas e integradas para o futuro.

Os dois pontos elencados por Durão Barroso, de maiores impactos político estão na ordem invertida: Governança Sólida e INTERGRADA para o Futuro submetem as Políticas de Aceleração do Crescimento e Estabilidade (PAC – alguém aí se lembrou do Brasil?).

Ora, sejamos claros esta integração já não pode mais ser dada através dos velhos marcos da Zona do Euro, ela vai exigir uma unificação política, governo comum, centralidade nas ações, o “Estados Unidos Europeu” saído à fórceps, sem meias verdades.

Esta “nova” conformação encabeçada por alemães e franceses como sócios majoritários, uma espécie de São Paulo/Rio de Janeiro, enquanto que Grécia seria uma espécie de Piauí. Um pacto federativo do tipo brasileiro é mais complexo, uma federação como os EUA é o mais provável.

Seria quase impossível impor um PAC sem a devida federação estabelecida, mas qual o custo político?

Mais uma vez descem as cortinas…

 

arnobiorocha

Nascido no Ceará e cidadão do Mundo, moro em São Paulo, minha cidade da alma é Kyoto e do coração são duas:São Paulo e Tókio. Autor do Livro "Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded"

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7 Responses

  1. as medidas americanas em 2008 foram catastróficas, e essas medidas prováveis da europa são aparentes, mas talvez adiemos a crise mais uns seis meses, com um pouco de propaganda estilo mundo novo, para, no ano que vem, vermos a catástrofe de novo, e sem poder fugir, não sei da solução, espero a encontrar, e não sozinho.

  2. marinildac says:

    Ops, quis dizer “o computador que contrabalanCE…”. Beijos!

  3. marinildac says:

    Está emocionante acompanhar aqui o passo a passo deste verdadeiro trabalhinho artesanal que é a solução da Crise 2.0. Só que não se trata de um tapetinho de tricô, mas das vidas de milhões. Por sinal, os Estados Unidos da Europa já existiam em 1950 na visão de Isaac Asimov em “Eu, robô”! A Europa não tem saída, é por aí mesmo. Mas falta o computador que contrabalança as ações capitalistas com as sociais!

  1. 31 de October de 2011

    [...] que um ou até mais países deixem a Zona do Euro”. Inclusive o que dizíamos seguidamente( Ver Crise 2. 0: Estados Unidos da Europa ) , ele confirma, de que só restou aos governos europeus pedir que China e demais membros dos [...]

  2. 7 de November de 2011

    [...] Crise 2.0: Estados Unidos da Europa; [...]

  3. 18 de November de 2011

    [...] tipo brasileiro é mais complexo, uma federação como os EUA é o mais provável.” ( ver post Crise 2.0: Estados Unidos da Europa [...]

  4. 27 de June de 2012

    [...] na série sobre a Crise 2.0, desde julho do ano passado, quase um ano, acompanhamos estes eventosCrise 2.0: Estados Unidos da Europa; Crise 2.0: A ruptura do Bloco Europeu; Crise 2.0: Novos Tempos na UE?) , sempre as expectativas [...]

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