Depois de muito adiar este diário — era uma mistura de preguiça com receio do que dizer —, resolvi enfrentar o desafio de falar sobre o que penso da vida, de política, cotidiano, amizades e sentimentos. Como em toda estreia, há a dificuldade de se apresentar, de saber o que escrever e qual assunto abordar.
Então, achei melhor tratar de algo íntimo que hoje estou sentindo: saudade.
Saudade: recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir. Nostalgia. (Aurélio)
A saudade é um sentimento abstrato. É uma palavra ímpar no nosso idioma, que expressa tantas coisas que só os falantes de língua portuguesa sentem e entendem. Estranho como esta palavra diz tanto com tão pouco.
Hoje, ela entrou nos meus pensamentos de forma inusitada: eu estava no carro ouvindo Madredeus e a poesia da canção “O Navio” levou-me, imediatamente, a antigas lembranças. Aí não tive dúvidas: a saudade que tenho é de mim, do que foi e de como fui. Não é de ninguém, de pessoas ou gentes, nem de um lugar; é unicamente de mim.
É um mergulho no escuro de nossa alma e de nossa trajetória, passando por tudo o que já fizemos — coisas que não voltarão jamais, mas que explicam o que somos: bons ou ruins, originais ou falsos. Nada muda o que fizemos. Talvez estas primeiras palavras sejam um ajuste de contas íntimo com o passado para que eu seja melhor no presente.
Quem sabe, uma nova janela de mim se abra no futuro.
O Navio
(Madredeus — Composição: Pedro Ayres Magalhães)Só deixei no cais a multidão,
A terra dos mortais,
A confusão,
Navego sem farol, sem agonia… distante;
E vou nesta corrente,
Na maré,
No escuro da menor consolação,
Acordo a meio do mar que me arrepia,
E foge…
A minha paixão é uma loucura.
Ando…
Numa viagem perdida,
O navio anda à deriva,
Sozinho.
Não é grande o mal, bem pouco dura;
E quando…
Afundar a minha vida,
Se calhar sou prometida… do mundo.
Nobim (só para os intimos)
Meu irmão você sabe que de todos os gênios que já conheci em livros você é o maior gênio que eu realmente conheço, porque os outros só ouvi falar. Será que eles são reais como você? Adorei seu blog. Espero que você escreva mais. Sugiro algumas coisas de mitologia grega, que adoro quando você me conta. Eu só gosta da história contada por você. Te amo meu irmão querido.
Querido Arnoio,
Parabéns pela iniciativa e seja bem vindo a blogosfera! Adorei o texto de estreia sobre a saudade. Perfeito! Apesar de ainda conhece-lo muito pouco já pude perceber que é uma pessoa de caráter e de conteúdo que, com certeza, terá muito a nos dizer…
Abraços!!!
Já na estreia mostrou o caráter firme de quem observa o mundo e tem muito a dizer. Faz pouco tempo que descobri seu diário e estou me acostumando a acompanhar suas reflexões. O exercício de escrever ou ler as impressões cotidianas de alguém lúcido faz um bem enorme para o psicológico.