Inventário

O Navio à deriva, mas não naufragou.

“Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande” (Fernando Pessoa)

Esse blog bravamente resisti ao assédio do fim tem pelo menos uns três anos, meio que vou levando, na verdade, ele morreu como fonte de informação ou de conteúdo político, no sentido amplo, faz tempo. Então, prometo, não falarei mais sobre finitude ou de algo que não sei quando termina. Melhor contar o que se fez, muito além do que se propôs no longe novembro de 2009.

Pois bem, naquele mês, depois de um almoço com Maria Frô, que tinha conhecido através de um amigo comum, parti para colocar na “rede” alguns velhos escritos, coisa de vinte ou trinta resenhas de velhos livros, de folhas e cadernos que levava comigo por onde ia, coisa de vinte anos, quase tudo a mão, meio desorganizados, pois fichava livros e anotações deles para consultar.

Dali, foi um pulo para viagens, ilusões e prazeres. Basicamente posso dividir em alguns campos bem definidos o que é/foi essa trajetória em alguns campos bem definidos, que se misturaram em razão de minha personalidade e minhas veleidades.

As questões da minha vida, os traumas de uma doença grave, que tolamente expus, como se fosse minha, mas não era, apenas reflexa. Segundo, a questão da Crise, que me envolveu profundamente, num pique danado, as teses dali tirada. Minhas leituras e pedantismo de formação literária, vaidade. Por fim, minhas pinimbas contra tudo e contra todos, vinganças e bobagens para sempre fustigar alguém, são meus limites.

De alguma coisa nascida ao acaso, o crescente, a escrita frenética, aqueles mesmos quinze e vinte minutos para apresentar um texto, cheio de lacunas e falhas, tantas e tantas vezes corrigidos, contando com a generosa ajuda da minha amiga e mestra, Marinilda Carvalho, o que acabou sendo fundamental para que não morresse logo naquele momento, minha desculpa de não ser do ramo, não vale.

Duas citações cortam minhas ideias, são contraditórias e se completam. Camões fala em “espalhar engenho e arte”, já Goethe é fatal  e diz que “finjo espalhar luz”. É, e foi uma luta, um auto-engano, que se esqueça logo, no fundo tudo isso aqui só serviu para mero registro.

E não é o fim.

Pink Floyd – “Wish You Were Here”

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