A vergonha alheia jurídica

A vergonha alheia jurídica.

A pecha de Golpistas colou literalmente na testa dos patrocinadores do Golpe e pegou os líderes dos conspiradores de surpresa, pois achavam que simplesmente seria um passeio a derrubada do PT e do governo. Porém, o espetáculo farsesco da votação pelo impeachment, domingo dia 17 de abril, não sairá de cena tão rapidamente como imaginavam.

Para piorar, aquelas cenas bizarras assustaram a todos, certo setor da sociedade civil que jamais toleraria um novo período sem democracia plena, ainda que discorde frontalmente do PT e de Dilma, começa a se mobilizar, pois se convenceu de que há realmente um Golpe em curso . Por outro lado, há um movimento para esvaziar o projeto de Temer-Serra-Cunha, as capas das revistas, que funcionaram como as centrais do Golpe, pularam fora do acordo, pois o ônus é alto demais ao se associarem a tipos corruptos como Cunha e ao mesmo tempo falarem sobre Corrupção.

A negação do Golpe, o peso da palavra, exige esforço terrível e tem se mostrado pouco eficaz, só tem produzidos declarações desastradas, em especial no meio jurídico, com maior relevo de membros do STF ou ex-ministros. A mídia internacional, a mídia alternativa brasileira e os setores mais organizados, mesmos os fazem oposição aos governos petistas, corretamente denunciam a quebra da ordem democrática, pelo seu nome exato: Golpe.

A despeito desses movimento, parte do STF tenta passar uma imagem de normalidade, como se nada estivesse acontecendo, como se o Estado de Exceção não tenha se tornado uma realidade. Alguns, mais afoitos, como Dias Toffoli, um ex-petista convertido, faz declaração raivosa de que “alegar que há um golpe em andamento é uma ofensa às instituições brasileiras, e isso pode ter reflexos ruins inclusive no exterior”. 

Nada que é humano me é estranho, mas algumas frases realmente nos causa estranheza e nos tira do prumo, como a de Ayres de Brito, ex-ministro do STF, numa palestra nos EUA, lascou: “Não quero antecipar o resultado do processo, mas vejo esse momento como uma pausa democrática com freio de arrumação para ideias, valores e processos da sociedade brasileira“. (grifo meu)

Certamente não é pausa, menopausa ou andropausa Democrática, Senhor Ayres de Brito, apenas o completo cinismo justifica uma frase tão infeliz, usada para tentar explicar a ruptura golpista que está acontecendo no Brasil, a olhos nus, com amplo apoio dos setores reacionários de sempre, que apenas toleram a democracia, quando estão em minoria na sociedade, ao se acharem maioria, querem impor seus valores ditatoriais.

Como repetimos: Não passarão!!!