EUA recolhem as redes com os peixes, digo, os Dólares.

Antes da saída Bernanke e  Yellen no Comitê de Política Momnetária (foto DPA)
Antes da saída Bernanke e Yellen no Comitê de Política Momnetária (foto DPA)

Todos somos neoliberais até vir a Crise, como esta, a  Crise 2.0,  nada como ler a explicação justamente de um homem de mercado, pois são insuspeitos,  André Pereira Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos disse que  “De 2008 até agora, foram colocados US$ 4 trilhões no mercado. A questão agora é se (o total de estímulos) vai ser de US$ 85 bilhões ou US$ 65 bilhões por mês, mas ninguém sabe quando vai parar. Os Estados Unidos não estão bem, mas estão em um momento de recuperação” ( Jornal GGN, 30/01/2014)

Ou como relata o Estadão, outro ator acima de qualquer suspeita, num texto lamentando a saída de um dos seus heróis diz que “O presidente do Fed, Ben Bernanke, que passará na sexta-feira o comando do banco central à atual vice da autoridade, Janet Yellen, encerrou sua última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) sem fazer qualquer mudança na outra grande política da autoridade monetária: o plano de manter os juros baixos por algum tempo. Bernanke conduziu o Fed em um território desconhecido nos oito anos em que ocupou o posto, construindo um balanço patrimonial de US$ 4 trilhões e mantendo os juros próximos de zero por mais de cinco anos para afastar a economia do pior revés em décadas. Com crescentes preocupações sobre possíveis impactos negativos da forte liquidez, o Fed decidiu no mês passado promover o primeiro corte nas compras de títulos”. (Estadão, 30/01/2014)

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É o velho Estado de bem-estar social ajudando o Kapital, como sempre o fez e sempre será assim, enquanto houver Kapital. Bobo quem vira neolibera, os EUA fizeram seus QEs, que significa, grosso modo, a expansão da base monetária ou simplesmente emissão de moeda, dólar sem lastro na economia real, fez isto a rodo, exportando sua inflação, agora enxuga a moeda retomando seus devidos lucros, “o resto é silêncio” ou chorumelas. Impossibilitado de aumentar sua extraordinária dívida pública (99% do PIB), os QEs foram a saída para sangria do Kapital e sua fome voraz.

Pensemos um pouco além das notícias. Dívida pública dos EUA em 15 trilhões, sem puder fazer novos endividamentos, qual a saída? Fez vários QEs, totalizando 4 Trilhões. Olhando mais de perto, em 5 anos(2008-2013) a dívida saltou de 11 pra 15 trilhões de dólares, mais 4 trilhões de dólares de QE, temos 8 trilhões dados do Estado para o Kapital, mais especificamente às grandes corporações capitaneadas pelos mesmos bancos que quase levaram a economia à falência total. E os neotrouxas nacionais achando os EUA são neoliberais.

Acordemos todos, minha pequena contribuição ao debate está no meu livro, Crise Dois Ponto Zero – A Taxa de Lucro Reloaded, que ajuda a entender esta barbárie. O Kapital nunca é tão óbvio como na sua Crise de Superprodução ,as ações são tão cristalinas, infelizmente perdemos capacidade de entender o óbvio. Ando com muita preguiça de produzir, escrever, a falta de interlocução é o principal motivo. Desgasta ver a pauta tão empobrecida. É como se o “movimentismo” do trotskismo tivesse sequestrado o debate, é quase uma alienação, militância sem ideologia, sem formação e  com baixo conhecimento de Marx, é uma tragédia.

O mais trágico, a ultraesquerda e a Direita agora culpando o Governo pelo baixo crescimento, como se o Brasil não fosse parte da lógica mundial, com peso menor do que os EUA e Europa. Comemoram nervosamente a possibilidade do caos, uma explosão do Dólar e um desarranjo da economia brasileira. Mas voltando ao mesmo André Perfeito que “ressalta que o momento é de recuperação dos países industrializados, e não de queda dos emergentes, e pode-se dizer que o momento de volatilidade explica-se pela incerteza do mercado quanto à retirada de capital dos Estados Unidos”. Entretanto “mostra-se otimista uma vez que a China, a maior parceira comercial do Brasil, não parou de crescer, e está avançando em torno de 7% ao ano, apesar de algumas questões ainda exigirem atenção”.

Momento complicado, o Kapital se recompondo, nós mais distantes de compreender a maior crise que ele passou desde 1929, apenas débeis constatações, nenhuma lição nova ou projeto.

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