Maduro – O Futuro da Venezuela

 

Nicolás Maduro – após votar – Foto: EFE

 

Esta madrugada saiu o resultado das eleições venzuelanos, a primeira depois da morte de Chavez, para escolha de seu sucessor. Nicolas Maduro, um ex-motorista de ônibus, líder sindical e destacado membro do partido socialista, tinha sido escolhido pelo próprio Chávez como continuador de seu trabalho, mas este foi seu batismo eleitoral, um duríssimo embate contra Henrique Capriles, candidato de direita, apoiado abertamente pelos EUA e por todas as forças conservadoras da América Latina.

A vitória apertada de Maduro tem que se bem analisada para entender as razões de uma eleição aparentemente “vencida” se tornou dramática. Para mim, parece claro que o longo período de Chávez no governo sem se preocupar em preparar um sucessor é um dos motivos centrais, aliás, no texto em que trato de sua morte (A Morte e As Mortes de Hugo Chávez ) alertava para o fato, reconhecendo seus méritos, mas apontando seus problemas:

“Os índices sociais da Venezuela mudaram radicalmente durante o seu mandato, se o dinheiro saiu da PDVSA e do petróleo, muito que bem, o terceiro país mais rico em petróleo no mundo não poderia viver uma situação tão contraditória, com imensas favelas em Caracas e condomínios exclusivos à custa desta mesma riqueza. É fato, também, que durante todos estes anos, por diversas vezes, os EUA e seus aliados internos tentaram tirar à força, Chávez do poder, sem justificativa, afinal havia eleições em todo o país, foram 14 pleitos e referendos desde 1998.

 Reconhecido os seus feitos, ainda sob minha ótica, penso que Chávez ou qualquer líder tem que se preocupar com a transição, de incentivar outros líderes, os homens passam, precisam entender o seu papel, não cair na tentação de ficar no governo, mesmo que seja eleitos e reeleitos, continuo a não concordar com governo em cima de um homem e de um nome. Neste momento, de sua morte, fica-se na dúvida da continuidade do seu legado, muitos acreditam que era obra pessoal, o que é desastroso, com risco de retrocesso.

 Minha visão sobre Chávez é de respeito ao que se propôs, mas ao mesmo tempo de crítica de não ter preparado sua saída, da busca incessante em se manter, o que, naturalmente dá argumentos aos raivosos, de que não há democracia no país. Neste aspecto, Lula, aqui no Brasil, é referência, soube o seu limite, poderia intentar mudar a Constituição e se reeleger mais vezes, preferiu abrir a agenda para os novos nomes, para o amadurecimento de um processo coletivo, não individual”.

Num segundo artigo, A Venezuela Sem Chávez, levantei mais questões e dúvidas sobre o processo político da Venezuela, em particular a questão da sucessão de Hugo Chávez:

“A questão que se impõe agora é saber se a revolução bolivariana, como na Venezuela se define o governo de Hugo Chávez, efetivamente é um fenômeno circunscrito a ele, ou preparou sucessores e o povo para continuidade no poder. São dúvidas mais do que justas, em particular depois de governos seguidos e centralizados na figura de um homem, quando pouco se enxerga o movimento mais amplo, até mesmo de uma conformação política mais sólida e restrita como um partido, no caso o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela).

Quem tocará em frente o projeto, terá energia e aceitação para que se aprofundem as mudanças? Quais os acertos de rotas serão feitos? Qual peso da imagem de Chávez terá no sucessor? Será um governo unipessoal ou mais coletivo? O líder que desponta Nicólas Maduro tem capacidade de se equilibrar entre, o que foi Chávez e o que se precisa agora? São as dúvidas que se encerra, para alguém, aqui distante do processo diário do país tenta entender e comentar. Lembro que deve ter sido a mesma dúvida de muita gente, quando Lula não tentou um terceiro mandato e propôs Dilma, quem era ela, o que faria, pois líderes tão fortes e carismáticos quando saem, deixa um vazio e carrega-se de incertezas sobre que os sucede”.

O que fique muito claro é que o aparente “passeio” de Maduro não aconteceu, muito pelo contrário, houve um crescimento fortíssimo da oposição, com o discurso do caos, de que Chávez havia levado o país a uma situação limite, que apenas uma mudança de orientação o salvaria. Disse mais, Capriles, que os programas sociais seriam mantidos integralmente, que ele mudaria apenas a gestão do país.  Algo como se o PSDB, depois de passar anos falando que a bolsa família é a “bolsa esmola”, dissesse que ela é fundamental, que não a mudaria, apenas faria uma nova gestão sem mexer nos programas sociais dos governos petistas.

 

Por outro lado, Maduro cometeu uma série de erros na campanha, talvez fruto de sua inexperiência, optou por centrar apenas na figura de Chávez, porém sem seu peso, suas palavras e sua ligação especial como o povo venezuelano. O discurso de que conversara com Chávez em forma de passarinho o tornou folclórico, corroendo sua credibilidade, despolitizando uma campanha e uma sangrenta luta. A direita não brincou em serviço, fez uma campanha de pós-Chávez, enquanto Maduro fez seu discurso como se nada tivesse que mudar nada, não se dando conta de que, ele próprio, é a grande mudança do país.

As eleições foram limpas, mesmo o candidato da direita dando seu showzinho final, não há o que se contestar os resultados, agora é buscar um novo governo que garanta as conquistas do anterior, mas que aponte para o futuro, novamente o governo brasileiro deverá usar de sua liderança regional para ajudar ao Presidente Nicolas Maduro no seu governo, integrando a Venezuela ao MERCOSUL e fortalecendo as relações regionais, abrindo o diálogo com os EUA, evitando mais tensões na  América, o que permitirá ao Presidente Nicolas Maduro faça um bom governo.

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