Por que somos Machistas: razões históricas e culturais


Dediquei-me estas duas últimas semanas a encontrar saídas e apaziguar os ânimos dos debates que surgiram pós-publicação do post no Blog do Nassif sobre as feministas.

Concordo em boa parte com os termos que o Renato Rovai escreveu para que não tratássemos a polêmica de forma a nos levar a ruptura desta rica experiência de blogs e pessoas de distintas formações que juntos contraíram o encontro de nacional.

São normais as polêmicas, não estamos numa confraria, temos vários acúmulos e distintas visões de sociedade e de futuro, mas entre nós estas polêmicas dever ir à direção, é o que defendo, da construção de acordos e convivência solidária e de mobilização para defesa das conquistas sociais, tão atacadas.

Como sempre faço como tenho pouco domínio do tema, procurei algumas razões histórica, culturais do machismo é o que segue.

Grécia nosso berço ocidental


Recente publiquei um post no blog sobre Zeus o Deus-Pai, ou o Deus Estado, aquele que concretiza o poder do Homem, macho, na cultura grega, a longa jornada de centenas de anos desde os deuses primitivos ao mais elaborados está diretamente ligado também a passagem da sociedade matriarcal a um novo poder estabelecido: O Patriarcado.

Como ressaltamos este longo período de maturação histórica a forma de representação divina cada vez mais se aproxima do rosto e formato humano.

As comunidades que lutavam para apenas “sobreviver” estavam ligadas ao cultivo da terra, pecuária e a pesca. Suas divindades representam exatamente este caráter de subsistência.

As primeiras deusas são as de fecundidade, Geia (Gaia-Terra) que tudo cria e dela mesmo gerado o céu com este reproduzirá tudo o que é vivo: Mar, Montanhas, arvore e rios. Seu culto é a ligação à terra que tudo dar e reproduz papel fundamental da mulher na definição da estrutura social, é dela que vem a vida e a possibilidade de continuar a existência.

Pus em anexo um longo artigo em que recortei da obra de Junito de Souza Brandão sobre mitologia grega, lá as principais deusas e sua importância para o mundo Grego. Deusas e divindades femininas e suas significaçõe1

A representação feminina, deusas e arquétipos vão migrar conforme a sociedade vai se dividindo em classes e o papel do homem passará a ser preponderante, a ligação à terra permanece forte mas o surgimento da polis(cidades) já traz um novo tipo de agrupamento.

Conseqüentemente os deuses primitivos já não respondem aos anseios deste novo homem, ele passa olhar para estrelas, planetas e seus deuses são fundamentalmente “masculinos”: Urano, Cronos(Saturno) e Finalmente Zeus(Jupiter – Ju (deus) Piter (pai).

Esta nova cosmogonia está intimamente ligada ao destino da Polis, a educação, o poder as artes e cultura, conforme demonstramos Zeus é o ápice pagão, para o mundo grego, politeísta. Zeus já é quase um deus único os demais são submetidos a ele, a reunião das cidades-estado também fundará o estado coligado, federativo grego com a liderança política ateniense.

Pós-Grécia

A diminuição do papel feminino será radical na cultura grega, sua sucessora Romana e por toda cultura ocidental que beberá desta fonte.

Pouco ou nada ajudará a condição da mulher quando o cristianismo toma lugar na religião estatal romana, perdurando por séculos a decadência e as novas sociedades que irão surgir na Europa séculos depois.

Este longo hiato cobrará um preço alto na sociedade capitalista, particularmente na segunda metade do Século XIX, quando as mulheres são levadas ao mercado de trabalho, os novos desafios e direitos sociais e a condição da mulher terá que ser revista pela sociedade do “Homem”.

O movimento socialista abraça a causa e as lutas dos trabalhadores em geral e das mulheres em particular, lutas como direito ao voto, representação será um amalgama desta união.

Obviamente que todas as demandas represadas por mais de 2 milênios de dominação do macho não se resolverá nos marcos de uma sociedade divididas em classes, cujo maior fundamento é lucro.

As novas demandas sociais


A longa luta do Século XX as experiências da revolução russa, a necessidade de concessões burguesas, particularmente na década de 60, fez avançar a luta e o reconhecimento de diretos femininos mais amplos.

Mesmo assim já neste novo Século/Milênio as mulheres se sujeitam as condições mais precárias no mercado de trabalho, na hierarquia social e no reconhecimento de suas conquistas. A sociedade capitalista continua explorando amplamente os trabalhadores, mas duplamente as mulheres.

Obvio que nós, frutos desta sociedade machistas, mesmo militantes nos equilibramos/desequilibramos em reconhecer as legítimas e fundamentais demandas feministas. Somos pouco afeitos a entender a lógica própria desta dinâmica de exploração. A violência, a exploração sexual, o sexismo, são a forma última da dominação nossa, dos machos.

A ampla reparação rumo ao reconhecimento igualitário da luta da mulher passa por nosso próprio aprendizado, nossos limites. Não deixaremos de ser machistas por um passe de mágica, vamos errar feio em muitas coisas, mas o importante é querer mudar e acertar.

Os ânimos ficaram exaltados nestas últimas semanas aqui na Blogsfera, ou blogsferas como preferirem, que tem um corte mais à esquerda, furto justamente deste desconhecimento próprio do que são as demandas e como tratar as diferenças de gênero, neste bojo deveria ser incluído as questões dos negros, do homossexualismo e a liberdade de expressão.

O chamamento que fiz por várias vezes no Twitter para que construíssemos um ambiente de debate, inclusive, claro, das grandes diferenças seria uma forma de avançar, não de abafar as manifestações justas de revolta que as mulheres que se sentiram ofendidas.

Meu blog fica aberto a publicações que se propõem a debater as mais variadas posições, sempre tendo como norte a ruptura com a sociedade de classes, movimentos que avancem as conquistas sociais em geral e dos mais excluídos em particular.

0 thoughts on “Por que somos Machistas: razões históricas e culturais”

  1. Textos e consideracoes sao compositores de opinioes. O espaco para responder cria interacao. Mas deveria para ai, na troca de simpatias. Quando a argumentacao vira discurso recuso-me a acompanhar! Entra a seara da verdade absoluta, vira doutrinacao e não exposicao!

  2. Causas justas (e também as não tão justas) despertam muitas emoções e, por vezes, descontrole e falta de urbanidade. É preciso muito pouco para despertar ira, nesses assuntos… muito pouco. E aí, também é preciso um pulo para os ‘ad hominem’ invadirem os discursos.

    Sectarismos diversos provocam efeitos nefastos, mesmo em grupos que travam o ‘bom combate’ afinal.

    No “caso” em tela, assisto a destemperos de ambos os lados. As vaidades se afloram, as ‘antigas dores’ veem à superfície… Para mim, que não domino o assunto, ficou difícil recolher os cacos de informações e argumentos deixados por aí. Agora, parece já não importar a causa feminista, mas, antes, as pessoas e suas vaidades (em graus variados).

    Já estou um pouco farto de ler cada lado, sobre o assunto. O campo ficou estéril, como a antiga Cartago depois das Guerras Púnicas. Deixei de lado isso, o que me afastou, temporariamente, também, dos argumentos (justos) das feministas.

    Quando começarem a brotar umas ervas, voltarei ao campo para conhecer o feminismo.

    Abraços fraternais.

  3. Arnóbio,

    A luta do feminismo foi marcada, a priori, pelo questionamento da ideia de “sujeito universal”, proveniente do Iluminismo. Talvez este seja o grande consenso entre as feministas: questionar o então sujeito universal, que em outras palavras, era homem. Assim elaboraram uma crítica que parte do gênero da palavra – universal – transferindo-a para uma esfera política – quais as implicações de usá-la no masculino. Mas, o que houve essa semana mostrou o que já sabemos, o feminismo possui vertentes e fases inúmeras que passaram a questionar o movimento político e filosófico nele circunscrito. Nassif errou, mas reconheceu. E aqueles que usaram esse momento apenas para desqualificá-lo e são tão ou mais machistas que ele?? Esses, em sua grande maioria, ainda estão esbravejando o erro do próximo sem a devida auto-crítica.
    A dominação machista é bem mais profunda que um debate, daquela proporção, acerca de um conceito errôneo e mal utilizado na blogosfera. Vamos debater o feminismo, não a relevância do jornalista Luiz Nassif. O que acham da ideia?

    Abraços

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