Letícia: Abraços ao Vento e Ouvindo Estrelas!!!

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Auto estima: Este é um dos desenho da porta do guarda-roupas da Letícia. Mesmo com todas as mazelas, ela se sentia poderosa.

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas”. (Olavo Bilac)

Ontem completou seis meses da partida de nossa Letícia, estava num dia atribulado, correndo na organização do Curso Direitos Humanos na Pós-Democracia, cuidando do som, tempo, receber palestrantes, ouvir e ajudar no que fosse preciso. A correria não me afastava da saudade e dar lembrança viva de que a Letícia poderia estar ali conosco, participando do debate.

Mesmo com todas as coisas. o dia 18, os seis meses, não saíam da minha mente, a imagem dela, era mais viva, veio mais forte quando a querida Dra Maria Sylvia, da comissão da Igualdade Racial da OAB/SP,  falando do massacre ao povo negro, relata da dor de perder um filho(a) de uma mulher negra vítima da violência estatal, que poucos podiam entender essa dor, eu entendo demais, até mais do que deveria…

Ainda no deslocamento, rumo ao curso, muito cedo, entre um sinal de trânsito e outro, escrevi algumas coisa no Facebook, sobre o que encontrei num pequeno diário de perguntas e respostas:

Letícia, 6 meses…

“Qual a sua missão?

-tornar a vida das pessoas a melhor possível”

O diário de perguntas e respostas, que a Lê respondeu, em 1/1/2016, em pleno tratamento da segunda leucemia, é uma questão tão forte que cauda espanto.

Aristóteles diz, na Ética a Nicômaco, que “ser feliz é fazer o bem”, ora, instintivamente, minha filha, chegou à mesma conclusão, ela queria tornar vida dos outros, não a dela, a melhor possível.

Quantos de nós pensa assim? Fazer bem, tornar a vida dos outros melhor?

A morte mata de saudades os que ficam, mortos em vida. Por mais que tente não pensar, a presença da Lê está em cada coisa que faço, e dói.

Porque ela tinha essa generosidade e se foi tão cedo. Obrigado, por me fazer o bem, tornou a minha melhor.

Te amo!

Hoje acordei e, mais uma vez, a dor eterna vem muito forte, deitei na sua cama, que permanece arrumada, na vã esperança que ela volte e nos surpreenda, deitei e abracei o vento, alguém que não mais me abraçará, fiquei olhando os escritos no guarda-roupas, as poesias os desenhos, as mensagens dela, que não compreendia, mas que hoje fazem todo o sentido.

O poema do Olavo Bilac “Ora (direis) ouvir Estrelas” está lá escrito, mas com o trecho acima em destaque, pedindo para AMAR, pois, só assim, vamos ter ouvido e sentimento para entender Estrelas, que é exatamente em que se transformou Letícia, uma Estrela.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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