A Prisão de Lula é derrota da Conciliação de Classes e do Republicanismo Mambembe

Lula, mesmo preso, mantém uma incrível capacidade de ler a conjuntura.

 

“Agora vou mudar minha conduta,
Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bruta,
Pra poder me reabilitar”
(Noel Rosa)
 
Assiste a entrevista do Lula e fiz um flashback do que fizemos esses últimos três anos, onde falhamos mais e o que nos impede de avançar. Em fevereiro de 2016, uma semana antes do depoimento coercitivo do Lula, fizemos uma reunião de advogados na sede do Barão de Itararé, em São Paulo, sobre as ameaças ao Lula e o processo de impeachment contra Dilma.
 
Havia (ainda há, infelizmente), uma ilusão de que, em algum momento, a racionalidade burguesa iria prevalecer,  em algum momento, para dar um basta na irracionalidade, então, Dilma, não sofreria impeachment, menos ainda, ali, Lula seria até investigado, quiçá preso, de tão absurda que era a linha de investigação da lavajets, subestimamos completamente o inimigo.
 
Na minha fala, naquela ocasião, fiz o alerta de que não acreditava em nada, naquele otimismo apresentado por quase todos,  nem tinha qualquer esperança, disse, mais ou menos isso, que vivíamos uma luta renhida pelo controle do governo, para aplicação sem nenhuma concessão do ultraliberalismo, e que o PT era um estorvo, portanto, concluí:
 
1. Que Dilma seria impedida, com ampla votação;
2. Que eles iam nos criminalizar, Lula seria o Alvo, o troféu
3. Que Lula não seria candidato;
4. Que precisávamos mudar a tática de ação
 
Percebia, antes e agora, que estamos tão domesticados e a trabalhar unicamente dentro da institucionalidade burguesa, que, qualquer proposta fora do quadrado, é vista como absurda, que tem riscos, ora, “viver é perigoso demais”.
 
Propus lá, e escrevi vário artigos no blog, para riso de muitos, que nossa única saída, era (e continua sendo) forçar uma ruptura, ou que assustasse o Kapital, resumidamente:
 
1. Ameaçar renúncia coletiva de TODOS nossos os parlamentares;
2. Na votação do impeachment, nos retirar do plenário, não votar (todos ficariam pelados/peladas, como protesto);
3. Desobediência civil, como protesto, ainda que fosse limitada;
 
Claro que ninguém topou, a nossa pouca efetividade, então eles avançaram mais rápido do que os tanques de Hitler, atravessando os países até Paris. Fomos massacrados no Congresso, impeachment humilhante, divulgação da conversa Lula-Dilma, depois, ainda propus que não votássemos nenhuma medida do governo do GOLPE, não reconhecer é não votar, não legalizar as Emendas Constitucionais, que destruíram o Estado, pois, votar é convalidar as medidas, qual a chance de derrotar os golpista “participando”?
 
Infelizmente não conhecemos outra forma de luta institucional do que “dá o combate” nas comissões e plenário do congresso ou no judiciário, o que fortalece a farsa, não a nossa ação. É preciso reconhecer que, por nossa completa submissão à legalidade estatal, eles avançaram de forma avassaladora, condenando Lula, sem provas, sem nada, prenderam e mantém-no preso, qual a nossa esperança de soltá-lo, nas regras atuais?
NENHUMA!
 
Continuamos raciocinando da mesma forma, é vício, não queremos ousar nada, nada que possa mexer no nosso status quo, às vezes sinto o cinismo, pois quem está preso é o Lula, não nós, contraditoriamente, TODOS, estamos presos, sem conseguir gestar saídas, perdendo, não apenas eleições, mas a capacidade de enfrentamento, a classe sofrendo um feroz ataque, desemprego, tudo conspira contra, nesse refluxo.
 
Penso eu, ou mudamos nossa conduta, ou Lula morre na cadeia, vamos viver de “festival #lulalivre”, que são legais, importantes, mas não dizem absolutamente para alterar o estado de coisas. O que mais podemos e devemos fazer para acordar desse pesadelo, dessa paralisia política? Propus em maio de 2018, que fizéssemos um movimento amplo de Habeas Corpus por Lula, feito no movimento social e por personalidades, poucos quiseram, é a adaptação às regras, isso nos aprisionou.
Há muito a fazer, basta abrirmos às nossas mentes.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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