Rumo à Queda? “Jair é louco, um perigo para o Brasil”

Várzea: A vergonha alheia tem novo significado com Bolsonaro no governo,

“No ar; e tudo quanto nos parecia ser corpóreo se fundiu como ao vento nosso anélito” (Macbeth – Shakespeare)

Saindo de uma batalha, Macbeth, seu fiel escudeiro Banquo, são surpreendidos por três horrendas bruxas, elas dizem aos dois seus destinos, primeiro Macbeth, que terá novos títulos, por fim, será Rei. Aquela visão assustadora, traz-lhe uma revelação, aguçando a ambição desmedida e dali, nada mais o parará, o trono de sangue, será dele, destruindo a todos ao redor.

A cavalgadura do medíocre Capitão rumo ao centro do poder de Brasília, não poderia ser mais cheia de coincidências e uma lógica que nos escapou, pois, se alguém previsse há dois anos, seria visto como louco. Ainda que o movimento desencadeado, não indicasse nenhuma racionalidade, ao contrário, a inteligência foi dissolvida em completa imbecilidade, o que favorece plenamente os piores, entre os piores.

Jair Bolsonaro é o resultado último das Jornadas de Junho de 2013, se em 2014, ainda não foi possível um aventureiro, outsider, anti-sistema chegar lá, o congresso eleito, fez a vez de tornar possível. A pauta destruidora do corrupto Eduardo Cunha, dito sem nenhum pudor pela classe média “somos todos cunha”, derrubou o vacilante governo Dilma II, que mesmo vencendo as eleições foi incapaz de reagir ao caos.

A bem urdida manobra do impeachment, um governo miseravelmente corrupto de Temer, agindo livremente, pois o fiador do Golpe, o Judiciário, só tinha (tem) para punir Lula e o PT. O ex-juiz tratou de encarcerar Lula, com uma condenação ilegal e imoral, tirando o ex-presidente das eleições, facilitando o caminho de Bolsonaro, que saiu do nada para o governo.

A campanha completamente obscura, cheia de fakenews, conseguiu juntar o que havia de pior na direita e extrema-direita, ainda que soubessem exatamente quem eram, Bolsonaro e sua família, suas relações com milícias, com pautas medievais, defesa de tortura, execuções sumárias, nenhuma empatia humana.

Além do entorno de paranoicos anti-comunistas (seja lá o que isso signifique, hoje), hipócritas fiscais de sexualidade alheia, religiosos da idade média, terraplanistas, criacionistas e empresários com vasto currículo de uso do Estado para enriquecer, alijados depois, agora viram em Bolsonaro uma oportunidade de negócios e  ávidos pelo controle da máquina se juntaram a trupe mambembe.

Claro que a vitória caiu no colo deles, nenhum deles imaginou vencer, então correm para montar um governo com toda essa fauna. O primeiro a aderir é justamente o ex-juiz, ambicioso e com vontade de fazer parte de qualquer governo, talvez para suprir seu medíocre currículo. O grande empresário, Paulo Guedes, já assumira o controle da máquina, prometendo sugar ainda mais a população mais pobre.

O desastre era visível, a família Bolsonaro quer protagonismo, começa a atropelar os neoaliados, pois eles têm a grife que os levou ao Planalto. A primeira grande vítima dessas intrigas, foi o secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno,o homem que viabilizou a campanha de Bolsonaro, foi “demitido” pelo filho, Carlos, o número 03, de forma desmoralizante.

Bebianno saiu atirando, chamando Jair de louco, fraco, perigoso e pedindo desculpar ao Brasil por ter ajudado a levar essa família ao governo. Promete ainda que, não cairá sozinho, com o que sabe levará esse governo à lona. Pode ser apenas um fanfarrão, mas não parece tolo, se entregar, aquilo que promete, a próxima semana será dramática.

E aquilo que parecia sólido, pode sumir, ainda bem, tão rápido quanto apareceu.

 

 

 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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