Quantas Vezes Morrerá D. Marisa?

Lula e Marisa: Para sempre companheiros.

“O herói é aquele que se exaure na sua missão, vive para a sua causa. Como seres que não são deuses nem humanos, são intermediários entre o mundo da consciência e o inconsciente. São “daímones”, são o traço-de-união entre o mundo dos homens e o mundo divino” (Junito de Souza Brandão)

A morte é o tema mais difícil de se escrever, pois ela é a única certeza da vida, de que um dia ela acaba, daí a importância da escatologia e das religiões para mitigar o peso decisivo do desfecho último de quem vive. Algumas vezes retomo o tema nesse espaço, especialmente quando pessoas que tenho intimidade ou que tenha referência, partem e nos deixam suspensos no ar, sem palavras, ações, apenas um terrível vazio.

Obviamente estou sob impacto dos eventos que levaram à morte de D. Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula. O AVC (Acidente Cardiovascular) foi resultado final desse processo macabro contra o ex-presidente e que atingiu aos seus entes próximos. Submetidos a uma perseguição implacável, coisa jamais vista na história do Brasil, pois a sanha persecutória se estendeu de Lula à esposa, passando por filhos, noras e genros, parentes e aderentes.

A criminalização de TODO o núcleo familiar é algo surpreendente e absurdamente desproporcional, o que revela um método fascista de ação, em que agentes públicos são investidos de poderes excepcionais, sem base legal, para exercerem seus desejos sórdidos e messiânicos, como se fossem a imagem do combate à corrupção, cheios de convicções e nenhuma prova.

A pressão sobre a família inteira, quem lembra de qualquer político que suas esposas/maridos e famílias tenham sido submetidas a esse tipo de investigações? De exposição pública, inclusive de diálogos privados, para demonizá-los, fragilizá-los e desmoralizá-los, quebrando suas forças através de torturas psicológicas e sem dar chances de defesas.

Toda essa máquina destruidora só é possível porque é sustentada pela grande mídia, que julga, condena e expõe a quem bem entende, em especial a Rede Globo. A família Lula, D. Marisa, especialmente é vítima de um processo, não jurídico, mas sim de caráter político e com doses cavalares de fascismo. As hordas fascistas na internet ou nas ruas respondem ao comando midiático e se retroalimentam através dele, não se busca justiça, mas linchamentos, para purgar uma sociedade adoecida. 

Algo cruel, predatório, desumano e descomunal, cujo objetivo é, sempre foi, destruir Lula e seu legado, apagar sua trajetória única na vida política brasileira. Aqui não cabe entrar na questão de culpas, pois um processo medieval, uma inquisição rediviva, não tem como objeto a busca de uma verdade, mas da Verdade que o inquisidor quer.

Tem-se uma tese, forma-se uma convicção unilateral e fia-se nela até o fim, NINGUÉM questionará os erros, pois se terá um resultado. A convicção que supera prova levará à fogueira, ou a famosa frase de Rosa Weber (teria sido seu pupilo e auxiliar que a cunhou?):”a literatura jurídica me autoriza”, disse isso e nem precisou citar de qual literatura falava.

O que nos parece é que Lula, D. Marisa, seus filhos, netos, sofrerão perseguições por séculos, com ou sem provas, mas o que os condenará? Qual validade histórica dessa loucura?

Retomo à questão da morte, pois ela não é só da vida física ou espiritual, mas de tudo que projeta em nós, e de maior relevo em figuras especiais, os Heróis ou heroínas, que na tradição grega não se julga o valor se são bons ou maus, eles apenas são.

A morte desses seres são difíceis e fecham sua tragédia e seus dias de glória, como escrevi antes no texto:  A questão do Herói – Grécia sopra sobre nós, responde melhor. Apenas para localizar, a questão particular da morte, no contexto do herói, é seu último ato, não que ele saia da vida para se tornar mito, ele já é mito, aliás, suas exéquias, são doloridas, como o descrevi no referido artigo:

“Se o herói tem um nascimento difícil e complicado; se toda a sua existência terrena é um desfile de viagens, de arrojo, de lutas, de sofrimentos, de desajustes, de incontinência e de descomedimentos, o último ato de seu drama, a morte, se constitui no ápice de seu páthos, de sua “prova” final: a morte do herói ou é traumática e violenta ou o surpreende em absoluta solidão.

A imensa maioria dos heróis morre de forma trágica, como a completar um ciclo, que desde o nascimento até seu fechamento seus feitos são dolorosos e marcantes. Uns se matam, como Ájax Telamônio, Hêmon, Antígona, Jocasta, Fedra, Egeu. A guerra, as justas e as vinganças são as grandes ceifadoras. Basta abrir a Ilíada e o final da Odisséia,que se passa a nadar num mar de sangue. Da morte de Reso, Pátroclo e Heitor até o massacre dos pretendentes, no XXII canto da Odisséia, a cruenta seara do deus Ares produziu frutos em abundância”!

Por fim repito, a Morte não tem o condão da bondade, as pessoas são o que são, entretanto, a morte mostra a grandeza daqueles que sabem respeitar a dor daqueles que perdem seus entes queridos, sem tripudiar ou fazer troça do sofrimento alheio. É a oportunidade de voltarmos a sermos humanos, ou descambamos de vez para barbárie.

Meus sinceros sentimentos e energias à família Lula da Silva.

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