img_20160918_133649

O plágio é só mais um aspecto da violência.

“A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores tem cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes” ( Flores – Titãs)

A profunda dor da alma, machuca a pele, os músculos e os ossos. Tudo parece nos cansar, tornando-nos quase imprestáveis. A capacidade de reação se anula diante da força que nos oprime. Infelizmente não tem jeito, ou rompemos o ciclo, ou caímos. Seremos vencidos irremediavelmente pela situação que nos envolve. Gostaria de uma mensagem positiva, por enquanto é resistência.

Muitas vezes esse espaço é usado para o embate político, filosófico e literário, outras vezes ele exprime o estado de espírito do autor, suas frustrações e perspectivas. Ainda, raramente, seus extremos, dor ou euforia de felicidade. Algum equilíbrio, sempre foi a busca e o norte, confesso que os últimos eventos da vida, não têm sido fáceis de ser digeridos. As questões da vida privada, não se sobrepõem às razões públicas.

Dois fatos, em especial, Deltan e a capa da Veja, movimentos que se completam. O primeiro, a coletiva do procurador-justiceiro-bíblico com seu powerpoint criminoso, pois promove o massacre e a condenação antecipada, com ou sem provas, de um acusado, formalmente, nem réu, é. O ataque é frontal às garantias constitucionais e aos direitos humanos, quando expõe suas convicções, naquilo que ainda nem é processo. A concepção é de punição de pecados, não da busca de justiça e/ou verdade dos fatos.

O segundo, que se complementa, é a criminosa capa da Veja, essa já é um clássico de má-fé repetidas vezes, sob um escudo falso, da “liberdade de expressão” e “liberdade de imprensa”, quantos crimes a mais precisa cometer? A capa é a imagem do ex-presidente Lula, com a cabeça decapitada e correndo sangue, um plágio a outra capa da Newsweek, com similar imagem, de  Khadafi.

O que me faz perguntar, qual diferença entre Veja e o Estado islâmico?

Na essência das coisas e dos processos humanos, a Veja e o EI são exatamente iguais. Ambos usam a violência como espetáculo para vender suas ideologias contra a humanidade e a sociedade plural. São fundamentalistas e ambos pregam a “pureza” contra a corrupção humana. De tão parecidos eles assassinam fisicamente (EI) e/ou politicamente (Veja) seus inimigos.

O mal os define, as palavras e ações expressam um profundo ódio à humanidade. Nada em Veja serve de exemplo que dignifique o Brasil. O EI macula uma região e uma religião milenar. A foto de Lula decapitado e sangrando nada deve aos vídeos do EI, são expressões de suas afinidades eletivas.

O Procurador-justiceiro e a Veja são imagens do mesmo processo de busca de violência e sangue, de radicalização da relações sociais, de uma sociedade dividida e profundamente desigual, que, por breves instantes, achou que poderia se superar, ledo engano.

O que se busca é um ajuste de contas, com contornos de linchamento e sem chance de defesa, um acerto de Classes, de massacre, já visto com Canudos ou qualquer líder popular, num país que criminaliza, em regra, pobre, preto e puta.

Somos uma sociedade extremamente violenta, nas ruas, nas relações públicas e privadas, as mortes se avolumam no trânsito, nos “confrontos” com a polícia ou nos confrontos de brigas de torcidas, numa briga de bar ou nas lutas do campo e da cidade. Na quantidade estupros e abusos sofridos pelas mulheres, no tratamento criminoso aos gays, lésbicas e negros.

Aquela máxima de que o brasileiro é cordial, é uma mentira, uma imagem idílica que os números das várias violências sociais, cuidaram de enterrar. O sorriso aqui é de ironia, não de felicidade ou humor. Temos que enfrentar o que somos, como somos e para onde vamos com essa violência toda.

Engraçado, ou trágico, como se encontraram, nessa quadrada histórica, figuras, grupos e instituições, que aproximam e glorificam a barbárie completa.

O mal venceu?