O Misterioso Cérebro Humano (Foto Techtudo)

O Misterioso Cérebro Humano (Foto Techtudo)

“Com que poder subjuga os elementos?

Não será co’a harmonia entre ele e o mundo?

Ele a absorver do mundo as maravilhas,

e a expandi-las depois com brilhos novos?”

( Fausto – Goethe )

 

Bem, não tenho certeza, mas parece que ao se fixar determinadas informações no cérebro estamos dando um “comando” de segurança para que ele processe no modo “tranquilidade”. Então, por conseguinte, não deve ser ruim se nos apegarmos com fervor a algumas ideias, conceitos ou coisas que o cérebro possa nos transmitir esta “paz”, pelo menos a interna, em particular nos momentos de grandes perturbações em que tudo parece fora de ordem, em que a insegurança gera mais insegurança, quando não, mais confusões mentais.

A complexidade humana, suas imensas possibilidades e suas enormes potencialidades, ao mesmo abre uma infinidade de horizontes, mas, ao mesmo tempo, uma série de incertezas e tomamos milhares de pequenas e grandes decisões em frações de segundo ou mesmo por um largo período, com mais maturação, independente disto são exigidas tais ordens e comandos, que nosso poderoso cérebro tem de armazenar e dar respostas. Óbvio que precisamos criar algumas determinadas pontes que sabemos que podemos voltar ou seguir em frente sem medo.

Quando uma criança vê e revê dezenas de vezes o mesmo filme, ou lê o mesmo livro, ou ouvi seguidamente a mesma música, e o que tudo isto parece ser muito cansativo para um “adulto”, nada mais é, para a criança, a segurança de saber o que vai acontecer quando acabar o filme, o livro ou a música, não haverá uma surpresa, apenas na primeira vez que ela viu, leu ou ouvir, agora já conquistou aquela certeza.

Mesmo nos irritando, algumas vezes, estas repetições, que parecem tolas, mas são tão importantes para elas, não percebemos que nós adultos agimos exatamente iguais a elas, a única diferença é que ampliamos o número de ações que repetimos não nos limitamos a poucos filmes, ou poucos livros ou a algumas músicas, nosso repertório é maior, mas em essência nos Repetimos frequentemente, mesmo sem nos darmos conta.

O fundamento deste comportamento está ligado à nossa formação intelectual e emocional, nossas percepções de como seguimos os caminhos e as ações que tomamos constantemente e as repercussões que elas produzem em nossa volta. Mesmo com o desenvolvimento espetacular da ciência e da tecnologia, os comandos cerebrais são essencialmente  lógicos e não transgridem além daquilo que ele está acostumado a fazer e repetir, mesmo que em si, ele, o cérebro, seja algo revolucionário que pode superar as experiências anteriores, raramente nos permitimos superar a barreira do que é “conhecido”.

Ora, tudo isto dito, apenas para dizer que hoje não me incomodo em repetir, de ter “porto seguro”, “ponto de retorno”, que adoro me fixar em determinadas ideias, utopias, ouvir as mesmas músicas, sem me preocupar em descobrir novas melodias, posso me confortar com aqueloutras e ficar feliz. Rever filmes, ou um conjunto de filmes com roteiros parecidos, principalmente me sentir seguro com meus velhos livros de milênios ou séculos passados, cuja escrita em nada pareça com o que de fala e escreve no presente.

Isto não é se conformar com o que foi posto e feito, mas compreender que mesmo com a vastidão de coisas e conhecimentos, experiências, algumas que vivi e vivo são tão prazerosas que nem sei se preciso desesperadamente de outras, ou que apenas o que seja “novo”, novidade, pode nos trazer mais prazer. Hoje é dia de comemorar o velho também, não apenas o novo.

David Gilmour Wish you were here live unplugged

Imagem de Amostra do You Tube