Crise 2.0: Brasil e França, Menos Austeridade, Mais Crescimento

 

Hollande e Dilma, acordos pelo desenvolvimento – Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

 

A visita da Presidenta Dilma à França é mais um importante passo, na busca do Brasil para ocupar espaço no cenário mundial, principalmente num momento delicado da Crise que vai se aprofundar na UE no próximo ano. As propostas alternativas de combate à crise, feitas pelos BRICS, em especial pelo Brasil, ainda sob Lula, agora começam a encontrar eco na Europa, particularmente na França sob Hollande. Aqui, na série sobre a Crise 2.0, discutimos as mudanças na França ainda nos embates Hollande x Sarkhozy.

A maior mudança, sem dúvida, foi o não alinhamento automático da França com a Alemanha, Sarkhozy se comportava como porta-voz dos desejos e caprichos de Merkel, tentando assim uma relação privilegiado do seu país com a poderosa Alemanha. Os planos de Austeridade da Troika ( UE, BCE e FMI) elaborados em consonância com as ordens de Berlim, empurrou a Europa para mais miséria, pois jamais aparecia qualquer alternativa a eles. Com Hollande os debates passaram a ser mais constantes e freou as iniciativas alemãs. A crise começou a ameaça a própria poderosa Alemanha, como escrevemos anteriormente, mudando o discurso de Merkel (  Crise 2.0: Merkel Pede Regulação dos Bancos, Liberais se Matam no Brasil e Crise 2.0: Alemanha Muda Discurso.Liberais, no Brasil, Piram).

O recrudescimento da Crise em 2012 e com a continuação ainda em 2013 comprova o erro grave da insistência do caminho da Austeridade, Grécia, Portugal e Irlanda que seguem o receituário da Troika não obtiveram qualquer melhora, ao contrário, pioraram. Espanha e Itália patinam sempre na beira do precipício, mas o risco mesmo é a França, a segunda maior economia da UE, sua paralisia é evidente, a alta exposição dos seus bancos, que juntos aos da Alemanha, são os maiores credores do restante do bloco, coloca em risco toda a economia francesa, que mais um ano terá crescimento Zero, provavelmente será ultrapassada pelo Brasil já em 2013, quando se previa apenas em 2015.

As saídas que Hollande tem são pequenas, a perspectiva que ele colocou foram corretas ainda na campanha, de que apenas o crescimento seria o caminho para combater a crise. A França vive além do baixo crescimento, baixa produtividade de suas empresas, grande déficit na balança comercial com a Alemanha, o estado é pesado, os impostos pesam mais na classe média e nos trabalhadores. O conjunto de fatores leva o país a ficar no meio caminho dos embates com a Alemanha, mas agora, com Hollande ganhou mais peso no debate.

A visita de Dilma, recebida com todas as pompas e estardalhaço reflete a necessidade da França de buscar alternativas comerciais e dinamizar sua economia, os acordos com o Brasil/Mercosul será fundamental para uma retomada dos franceses. Os números, ainda que baixos nestes últimos dois anos do Brasil, serão vitaminado pelos anos seguintes, as relações se baseiam nesta perspectiva. É uma aproximação também do ponto de vista do que se propõe como norte ao combate da crise, os discursos estarão alinhados no G20, no estreitamento das alianças com os BRICS.

Dilma, assim como Lula, usará a agenda internacional como vitrine para aliviar as tensões políticas internas, como também econômicas. O Brasil continua sendo melhor visto pelos de fora, mídia,  economistas e políticos, é uma contradição terrível, mas é a realidade.

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