Crise 2.0: Alemanha – Todos dizem Eu te Amo!

 

Todos dizem Eu te Amo

Começamos a semana com um artigo sobre as tais “lições de casa”alemãs, que procurei desmitificar, como já venho fazendo aqui na série sobre a  Crise 2.0. No post, Crise 2.0: A Farsa das”Lições de Casa” Alemãs, encontramos uma clara contradição entre o que a Alemanha prega para seus parceiros da Zona do Euro, a Austeridade, e o que faz internamente, pois, o Estado alemão, abre as arcas do tesouro para empresas, corretamente, para manutenção de empregos e de funcionamento econômico.

 

Ora, se esta receita, que por acaso é o que defende Hollande para Zona do Euro, por que a Alemanha se opõe? Mais ainda por que se mistifica a fortaleza alemã? As respostas estão nos números muito nítidos que apontam o país como o maior beneficiário da quebra geral, por enquanto, da Europa. Em 16 de maio corrente, escrevi um artigo Crise 2.0: Alemanha, Esmaga a UE, com um conjunto de gráficos sobre o desempenho da Alemanha que comprovam minha tese: O que é ruim para PIIGS(Portugal, Itália, Irlanda,Grécia e eSpanha) é bom para Alemanha. O conjunto de números do comércio exterior, balanço de pagamentos, Austeridade x Crescimento, são cristalinos demais, responde a uma realidade cruel dos desequilíbrios da UE.

 

Mas não bastando isto, um conjunto de reportagens do Estadão de hoje, celebram o apogeu alemão, o país sem crise, o único que cresce na Zona do Euro, neste ano espera crescer o PIB em 1% e 1,4 % no ano que vem, a matéria comemora como feito incrível, mas o mesmo Estadão esculhambam governo do Brasil por crescer apenas 2% este ano, por que será?

 

A Alemanha aprofunda o fosso que a separa dos parceiros do sul, levando a uma distância grave, que só aumentou nos últimos 3 anos, vejamos o que diz a matéria: “Não é apenas trabalhadores que desembarcam na Alemanha por conta da crise em seus países de origem. Nos últimos dois anos, o mercado alemão atraiu bilhões de euros. Temendo uma quebra de bancos ou mesmo a saída da Grécia da zona do euro, os investidores optaram por levar seu dinheiro para o local mais seguro da Europa. Empresários e banqueiros alemães comemoram. Desde 2009,  1 trilhão saiu dos bancos dos países do sul da Europa, seja por conta de correntistas em busca de um local seguro para suas economias ou por conta de investidores que buscavam novas oportunidades”.

 

O rombo é enorme, a fuga de capitais é uma sangria sem fim de recursos, os números demonstram a fragilidade dos países em crise e explicam porque seus prêmios de risco dispararam desde março, apenas a “Na Espanha,  67 bilhões deixaram os bancos do país apenas em março. No primeiro trimestre, a sangria chegou a  97 bilhões. Nos últimos nove meses, a fuga atingiu  200 bilhões”. Em abril saiu mais 26,6 Bilhões de Euros, o que se repetiu em maio e junho(ainda não são números oficiais), chegando a quase 300 bilhões, ou cerca de 30% do PIB espanhol. O recuo do PIB em 2011 será 1,3 % e em 2013 0,6%, mesmo assim o Governo da Direita vai insistir em mais cortes e Austeridade, conforme publicamos semana passada.

 

Mas não é somente na Espanha que se verifica a fuga de capitais também “Na Itália, a fuga de capital dos bancos chegou no fim de março a  240 bilhões, em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do banco central italiano. Desde que a crise eclodiu na Grécia no fim de 2009, correntistas e investidores já retiraram dos bancos do país  72 bilhões. Em Portugal, o auge da crise nos bancos foi em meados do ano passado. Entre janeiro e outubro,  11 bilhões foram retirados do país. Parte dessa fortuna tomou o rumo do bancos alemães e da Bolsa de Frankfurt.

 

Mesmo sendo óbvio, é preciso repetir que se faz uma transfusão inversa, do corpo doente se extraí o sangue para o corpo cheio de Saúde  sendo assim  “O efeito é sentido em vários segmentos. De um lado, o governo de Angela Merkel nunca teve tanta facilidade para se financiar. Na semana passada, pela segunda vez, investidores pagaram para estacionar seu dinheiro na Alemanha. Ao emitir títulos da dívida, Berlim viu que os juros estipulados estavam negativos, enquanto na Espanha batia novos recordes. Banqueiros não disfarçam a satisfação. No fim de abril, os depósitos em bancos alemães cresceram 4,4% em comparação ao mesmo período de 2011, para um total de  2,1 trilhões.

 

A comemoração na Alemanha é francamente vexatória, mas o fazem sem cerimônia e ainda confessam “Centenas de bilhões de euros entraram na Alemanha. Quem é que vai querer manter o capital depositado por anos em um banco que simplesmente pode quebrar”, questionou o banqueiro alemão, Robert Halver. Para ele, a entrada de capital tem ajudado a economia alemã a resistir à crise. “Isso está sendo um dos elementos da solidez alemã.”

 

O disparate na confissão grifada, apenas reforça todo o fundamento de nossas críticas, a submissão e a dependência completa do sul europeu à Alemanha pode ser desastroso no futuro, mas as coisas não têm limites: “Quem também comemora são as empresas do setor da construção. A chegada de capital do exterior tem se traduzido na busca cada vez maior por imóveis, principalmente no segmento de luxo, no momento em que o governo alemão desacelera os gastos com obras públicas. “Mansões de  10 milhões estão sendo compradas pelo telefone”, revelou Rainer von Borstel, gerente para a região de Hessen da Confederação de Construção da Alemanha, uma das entidade de maior poder no país. “É uma loucura. Empresas têm recebido ligações da Grécia e de outros países do sul simplesmente pedindo ofertas de casas e fechando negócios por telefone.

 

Parte das burguesias locais de países em extrema crise, age como abutres, se alimentam do resto dos Estados em crise, como os banqueiros gregos que receberam 18 bilhões de Euros em ajuda( 4 maiores bancos), em plena crise, enquanto o governo da Troika cortou os subsídios do plano de ajuda anti-AIDS, que explodiu nos últimos dois anos. Similar o que acontece na Espanha com os 100 bilhões que vão receber, cortando de Saúde e Educação, mas não satisfeitos, pegam este dinheiro e compram mansões na Alemanha.

 

Pode haver esperança dentro do Capital?

 

 

0 thoughts on “Crise 2.0: Alemanha – Todos dizem Eu te Amo!”

  1. Não é fácil ler e entender sobre economia, mas voce escreve sem usar aquela linguagem do economês tradicional, por isso gosto de visitar seu blogue. Essa transfusão inversa que fortalece a Alemanha e deixa debilitada o restante da zona do euro, pode ser um tiro no pé no futuro, o que me pergunto é se num futuro próximo ou distante?

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: