Crise 2.0: Quem paga a conta?

 

Quem paga a conta da Crise? foto AFP

Relatamos muitas vezes aqui na série Crise 2.0, sobre o sofrimento dos trabalhadores diante da Crise, a mais profunda desde 1929. O desespero por emprego, ou para manter seus ganhos, em flagrante contradição com os exageros e desrespeito dos ricos e governos diante da situação crítica dos países. Estes casos acontecem por exemplo na Espanha ou Itália, mais ainda na Grécia, mostrando que o tecido social europeu se rompe a olhos vistos.

 

Recentemente escrevi sobre a situação dos impostos na Grécia, que há uma imensa sonegação, aliada a isenções absurdas como ao setor marítimo que garantia na Constituição que não paga imposto, mesmo sendo ele responsável por quase 50% do PIB. Os ricos na Grécia, em regra, sonegam de forma ampla, mais ou menos 8,5 Bilhões de Euros, o que dá a metade do deficit fiscal do país. Apenas em 2 anos mais de 70 bilhões de Euros saíram dos bancos gregos, boa parte dele, cerca de 40 bilhões rumaram para Suíça e/ou paraísos fiscais.

 

Entre Janeiro de 2010, início da hecatombe grega, até outubro de 2011, nada menos que 11% dos médicos do país foram embora, este exemplo é similar em outras categorias profissionais, os mais qualificados acabam deixando o desespero de um país sem futuro. Em pouco mais de 9 meses se formou um contingente de sem tetos em Atenas que chega a 50 mil pessoas, os bancos tomaram 25 mil casas, até dezembro de 2011, por inadimplência. As filas aos sopões crescem vertiginosamente, até a igreja ortodoxa, quase estatal, enfrenta dificuldades para pagar o salário dos padres, que também tiveram redução no valor dos mesmos.

 

A troika, aprovou um resgate de 130 bilhões de Euros, que são dados em doses homeopáticas ao governo grego, ainda impondo um premier fantoche, ontem descobrimos que parte deste dinheiro na verdade é usado para salvar banqueiros locais. O Fundo Helênico de Estabilização Financeira( HFSF), nome local do Fundo de Estabilidade Europeu, deu 18 Bilhões de Euros aos quatro maiores bancos: “Segundo o HFSF, o National Bank of Greece recebeu 7,43 bilhões de euros, o Alpha Bank recebeu 1,9 bilhão de euros, o EFG Eurobank Ergasias recebeu 3,97 bilhões de euros e o Piraeus Bank recebeu 4,7 bilhões de euros”. (Agência Dow Jones)

 

Agência Dow Jones diz ainda: “Esse capital restaura o nível de adequação de capital desses bancos e garante o acesso deles a provisões de financiamentos de liquidez do Banco Central Europeu (BCE) e do Sistema do Euro”, diz o Fundo no comunicado oficial. “Os bancos agora têm recursos financeiros suficientes para ajudar a economia real”. Essas quatro grandes instituições respondem por quase 80% dos ativos do sistema bancário grego. A Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) já transferiu 25 bilhões de euros em bônus para o HFSF, dos quais esses 18 bilhões de euros liberados ontem servirão como empréstimos-ponte até que essas instituições concluam uma recapitalização formal, ainda este ano”.

 

A lógica é a mesma da Espanha como escrevemos ontem no post Crise 2.0: Estresse na Espanha, sobre a conta que pagou o Governo de Direita, dito liberal, para salvar apenas um banco, o Bankia, 23,5 Bilhões de Euros, chegamos ao extremo, que os governos não têm dinheiro para Saúde, Educação, os cortes são cada vez maiores, mas consegue vultantes somas, para agraciarem os coitados dos banqueiros, como se estes não fossem a fonte e raiz de TODA a Crise.

 

Mas como tudo parece pouco a Diretora-Geral do FMI ainda manda uma mensagem sórdida para o povo grego:  “Christine Lagarde, disse que tem pouca simpatia por aqueles que criticam o programa de austeridade do país, preferindo concentrar-se com o sofrimento de crianças famintas na África. Ela afirmou ainda que os gregos poderiam se ajudar se “todos pagassem seus impostos”. Pelo menos Hollande deu-lhe uma dura resposta:  “É verdade que há muitos gregos ricos que sonegam impostos e isso não deve ser aceitável”, afirmou. “Mas eu não acho que essa é a melhor maneira de se dirigir aos gregos: ‘Você tem de olhar para a sua situação comparada com os africanos, cujas vidas são mais duras que as suas'”, completou”.( As informações são da Dow Jones)

 

É fato que todas as Crise são depositadas nas contas dos trabalhadores, mas os crimes dos ricos(ampla sonegação, evasão divisas, Falência de bancos, entre outros), não podem lhes ser atribuídos.

 

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