Crise 2.0: Sarko, a França apequenada

 

 

 

Em alguns artigos da série Crise 2.0 procurei retratar personagens decisivos neste momento de crise, claro que Merkel é a figura de proa da Europa, não apenas da Alemanha, várias vezes é citada e caracterizada como tal. Outro, que raramente esqueço, é Sarkhozy, o pequeno Presidente Francês, funcionando, ora como escudeiro, ora como Porta-voz da líder alemã, mas jamais como protagonista. Ele se comporta como um grilo falante, buscando ser interlocutor dos desvalidos e ao mesmo tempo o executor dos desejos de Merkel.

Esta situação me remete ao começo do anos 2000, quando Tony Blair era conhecido como o “Poodle” de Bush Jr. Blair se comportava exatamente como Sarkhozy, sua submissão aos caprichos americanos, sua tentativa de dar algum estofo intelectual ao Bush Jr era coisa para analistas freudianos. As justificativas que Blair dava aos seus parceiros europeus sobre a invasão do Iraque, ou Afeganistão são peças ficcionais, aqui ele era amado por FHC como a “terceira via” ou, no dizer dos bajuladores midiáticos, a “voz da consciência e da razão” de Bush Jr.

Sarkhozy,  fruto da direita francesa, comporta-se, por analogia, como Blair. A dura chanceler alemã e sua visão totalitária da Europa, submissa à Alemanha, encontra em Sarkhozy não mais que um cumpridor de ordens, porém ela sabe que ele  é necessário para aparentar alguma flexibilidade democrática. Merkel sabe que a França, apesar de ser a segunda Economia europeia, está numa crise tão profunda como a italiana, então ela manipula com facilidade o pequeno Sarko. Este, consciente de suas limitações, procura ser influente junto à poderosa Alemanha, mesmo sabendo que ela vai devorá-lo, a tosca tentativa é de ser “parceiro”, nem que seja minoritário.

Merkel impõe todos os seus desejos na UE, BCE e no FMI, usa Sarko como um serviçal, mais próximo do que os outros, dando-lhe alguma importância. As decisões secundárias ela deixa que ele tome, infla seu ego, mas questões centrais são tomadas de forma impiedosa. Os Sátrapas (Monti, PapaDEMos, Rajoy e outros) primeiro falam com Sarko, como se fosse um sacerdote pitonista, ele consulta o Oráculo(Merkel) e lhes traduz as ordens aos seriçais.

O pequeno Sarko se lança em campanha para novo mandato, aparentemente em desvantagem, mas terá em sua Chefe o maior apoio, a perspectiva de sua derrota mudaria um pouco o jogo, mas não acredito em mudanças fundamentais, o abismo da economia francesa é visível, pode ser arrastada de forma vertiginosa, o que não seria interessante, pelo menos agora, para a Alemanha.

Assim como Blair, o “Poodle”, Sakhozy, o “Micro Maltês”, não apita nada, quem decidia tudo era Bush Jr, agora é Merkel, ambos apenas usavam/usam seus bichinhos de estimação ao sabor de seus caprichos. O jogo das grandes potências econômicas e de seus líderes é muito claro, o que fala mais alto é a força da economia, quem perdeu o vigor, terá que se submeter aos mais forte.

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