Ájax – Herói e sua Hybris

 

 

Ájax

Sófocles

“Sem os grandes, os pequenos

são o amparo de uma torre vacilante;

mas, aliado aos grandes, o pequeno melhor

Se ergueria, assim como o grande seria erguido pelos menores.”

Tema: Tragédia. Traição. Autoritarismo e Heroísmo

Resumo: Após a morte de Aquiles, nos muros de Tróia, os heróis Gregos se reúnem para homenageá-lo e fazem um torneio para saber com quem ficarão as suas armas. Os dois concorrentes são Odisseu e Ájax Telamon.

O Livro

Morto Aquiles, os heróis se reúnem e fazem um torneio para decidir quem ficará com as armas dele. Odisseu vence o duelo contra Ájax e fica com as armas de Aquiles. Ájax que era reconhecidamente o segundo maior e mais forte herói, fica revoltado suspeitando que Agamenon o comandante em chefe da armada grega, trapaceou nas regras do torneio para beneficiar Odisseu.

Ájax se rebela e recolhe-se ao seu acampamento, abandonando a luta contra os troianos, mas sua hybris de vingança não o deixa em paz, quer matar Odisseu, pois personifica a humilhação sofrida. A noite vai ao acampamento Grego para sua realizar seu intento, no entanto a deusa Palas Athena o engana e “cega”, que pensando tratar-se de soldados gregos, ataca ferozmente e mata todo rebanho grego, exceto um belo boi, que julga ser Odisseu, amarra-o e o leva consigo.

Ao amanhecer diante da carnificina os heróis se reúnem e vão ao acampamento de Ájax, que ao acordar percebe o mal causado, profundamente arrependido diante da assembléia se suicida com a própria espada.

Teucro seu amigo e meio-irmão tentar levar o corpo para prestar as exéquias e as justas homenagens ao grande herói que enlouquecera e se matara, porém impedido pelos fracos e covardes irmãos Menelau e Agamenon que comanda a armada Grega. Estes humilham Teucro ameaçando-o, pois Ájax teria que ser comido pelas aves de rapina pelo crime cometido.

Neste instante entra Odisseu, que apesar de ser o alvo do ódio de Ájax, coloca-se ao lado de Teucro e faz belo discurso lembrando o quanto Ájax fez pelos gregos, que fora Herói por toda vida, não podendo ser esquecido após a morte, mesmo com seu fatal erro. Arremata assim, Odisseu:

“Não, não conheço nenhum e, embora seja meu inimigo,

lamento seu infortúnio. Esmaga-o terrível fatalidade.

Em seu destino entrevejo meu próprio destino.

Todos quantos vivemos, nada mais somos

que farrapos de ilusão e sombras vãs”

Pequeno Comentário

É um pequeno livro com grandes reflexões em que traça um perfil moral de alguns Heróis gregos, desde Ájax movido pela Hybris da vingança em busca de seu timé(honra) até as palavras sábias e sensatas de Odisseu, passando pela covardia e vilania dos irmãos Menelau e Agamenon, que com mesquinharia queriam sonegar as homenagens ao grande herói que enlouquecera.

Cabe lembrar os muitos companheiros que lutaram conosco e por qualquer motivo se recolhem nos deixam, então passamos a desprezá-los ou fingir que eles nada fizeram pela nossa luta. Este livro desperta este sentimento de saber os limites de cada um, saber que cada um fez uma parte, que tiveram/tem seu valor, que devemos respeitá-los em suas opções e engrandecê-los pelo que fizeram ao nosso lado.

Nota sobre Hybris:

“hýbris” ( ὕϐρις ) é força desmedida que ultrapassa a medida do herói ou do homem para com os seus ou em relação aos deuses,  fatalmente ele será punido.  Como bem observa Junito de Souza Brandão:

“O herói acumula atributos contraditórios. De natureza excepcional, ambivalente, não raro aberrante e monstruosa, o herói se revela resplandecente e tenebroso, simultaneamente bom e mau, benfeitor e flagelo. Dominado por uma  ὕϐρις, “hýbris” incoercível, sua “démesure”, seu descomedimento não conhece fronteiras nem limites.”

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